O Mounjaro, nome comercial da tirzepatida, surgiu inicialmente como uma opção para o tratamento do diabetes tipo 2, mas acabou ganhando enorme visibilidade ao demonstrar forte impacto na perda de peso.
A medicação se tornou tema constante em consultórios e redes sociais, especialmente por provocar reduções expressivas de gordura corporal em pacientes com obesidade. O interesse crescente fez com que o uso do remédio passasse a exigir atenção redobrada das autoridades sanitárias.
Nas últimas semanas, uma atualização regulatória da Anvisa alterou o cenário da prescrição no país e abriu espaço para que outro profissional além do médico possa indicar o medicamento em uma situação específica.
Médicos não vão ser os únicos a prescrever Mounjaro com o critério da Anvisa
A mudança ocorreu depois que a agência incluiu, na bula do Mounjaro, a indicação da tirzepatida para o tratamento da apneia obstrutiva do sono associada à obesidade.
Essa condição costuma ser acompanhada tanto por médicos quanto por cirurgiões dentistas especializados em distúrbios respiratórios do sono.
Como a apneia é reconhecida como área de atuação compartilhada em alguns contextos clínicos, a interpretação da nova indicação permitiu que dentistas, dentro desse escopo, também prescrevessem o Mounjaro.
A decisão abriu debate imediato entre entidades da saúde sobre os limites e as responsabilidades envolvidos.
O Conselho Federal de Odontologia avalia que a possibilidade de prescrição está amparada pela legislação que estabelece as competências do cirurgião dentista.
A instituição, no entanto, enfatiza a necessidade de prudência. Isso porque o medicamento é destinado a pessoas com obesidade, que muitas vezes apresentam doenças associadas ou fazem uso de outras terapias que podem interagir de forma inadequada com a tirzepatida.
Para o conselho, a autonomia profissional deve ser acompanhada por atuação responsável e, quando possível, por um modelo de acompanhamento conjunto com outros especialistas.
Avaliação global do paciente é fundamental antes de prescrever Mounjaro
Do lado médico, a reação foi bem mais crítica. Especialistas em obesidade afirmam que a avaliação global do paciente é fundamental antes de iniciar o tratamento.
Estudos que fundamentaram a liberação do uso na apneia envolveram casos moderados e graves, em que a perda de peso foi decisiva para melhorar o quadro respiratório.
Endocrinologistas argumentam que o manejo da obesidade exige conhecimento amplo sobre efeitos adversos, contraindicações e riscos clínicos.
Entidades como a Associação Paulista de Medicina reforçam que condições como pancreatite, alterações na tireoide e histórico cardiovascular precisam ser cuidadosamente avaliadas para que o tratamento seja seguro.
Para os pacientes, a principal orientação é buscar acompanhamento qualificado, confirmar se a indicação faz sentido para o seu caso e nunca utilizar o medicamento com finalidade estética ou sem supervisão adequada.






