O etarismo, ou idadismo, é um fenômeno estrutural que prejudica não apenas a dignidade dos idosos, mas também sua saúde física e mental. Essa forma de preconceito se manifesta de maneira sutil e muitas vezes invisível, reforçando estereótipos que limitam a participação dos mais velhos na sociedade e impactam negativamente seu bem-estar.
O geriatra e perito Otavio Castello, professor colaborador da Faculdade de Medicina da Universidade de Brasília, alerta que o combate ao etarismo ainda está longe de se tornar uma política pública efetiva. Além disso, ele destaca que o preconceito relacionado à idade influencia diretamente na forma como os idosos são tratados no sistema de saúde e na sociedade como um todo.
Etarismo como violação dos direitos humanos
A discriminação etária é uma das formas menos discutidas de preconceito, apesar de seu impacto severo na vida das pessoas mais velhas. Segundo o Estatuto da Pessoa Idosa, a valorização do idoso deve ser promovida em todas as esferas da sociedade, incluindo o ensino formal. No entanto, esse princípio ainda não é colocado em prática de maneira eficiente.
A ausência de educação sobre o envelhecimento nos currículos escolares contribui para a perpetuação do etarismo. Enquanto temas como biodiversidade e diversidade de gênero já fazem parte da educação básica, o respeito ao idoso ainda não é tratado com a devida importância.
Dessa forma, as novas gerações crescem sem uma visão clara sobre o envelhecimento, reforçando estereótipos e comportamentos discriminatórios.
Etarismo no sistema de saúde
A forma como os idosos são tratados nos serviços de saúde reflete o preconceito estrutural da sociedade. Muitas vezes, os profissionais da área médica desconsideram as queixas dos pacientes mais velhos, atribuindo sintomas graves apenas ao envelhecimento natural. Esse comportamento pode atrasar diagnósticos, comprometer tratamentos e agravar o estado de saúde dos idosos.
Outro exemplo comum é o estigma em torno das doenças neurodegenerativas, como a demência. O geriatra Otavio Castello ressalta que, ao receber um diagnóstico desse tipo, o idoso é frequentemente tratado como incapaz, mesmo que ainda mantenha certo grau de autonomia. Essa abordagem pode acelerar o declínio cognitivo e emocional do paciente, agravando sua condição.
Representações sociais e estereótipos sobre a velhice
A forma como a mídia e a sociedade retratam o envelhecimento reforça visões limitantes sobre os idosos. Muitas campanhas publicitárias, por exemplo, associam a terceira idade à fragilidade, solidão e inutilidade. Essas representações contribuem para a exclusão social dos mais velhos e para a falta de oportunidades de trabalho, lazer e aprendizado.
Além disso, a imposição de padrões de juventude como ideais de beleza e sucesso cria uma pressão psicológica sobre os idosos, levando a quadros de ansiedade, depressão e baixa autoestima. Quando o envelhecimento é visto como algo negativo, os próprios idosos passam a se sentir invisibilizados e desvalorizados.
Importância de denunciar o etarismo e combater a violência contra idosos
O etarismo, muitas vezes, está diretamente ligado à negligência e à violência contra os idosos. Casos de abusos físicos, psicológicos e financeiros são cada vez mais comuns, mas muitos ainda não são denunciados. O medo, a dependência financeira e a falta de informação dificultam que as vítimas busquem ajuda.
Por isso, é fundamental que a sociedade como um todo se envolva no combate a essas práticas. Existem diversos canais para denúncias, como o Disque 100, os conselhos municipais do idoso e os boletins de ocorrência online. Além disso, é essencial educar a população sobre a importância do respeito à pessoa idosa e incentivar políticas públicas que garantam sua proteção.
O envelhecimento é um processo natural e inevitável, e todos, em algum momento, passarão por essa fase da vida.