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Mais países são inclusos na lista dos EUA que precisam pagar US$ 15 mil

Por Leticia Florenço
10/01/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Visto Americano - Reprodução/iStock

Visto Americano - Reprodução/iStock

O governo dos Estados Unidos ampliou a lista de países cujos cidadãos podem ser obrigados a pagar uma caução de até US$ 15 mil para conseguir entrar no país.

A decisão, adotada durante a gestão de Donald Trump, reforça a política de endurecimento migratório e torna o processo de obtenção do visto ainda mais restritivo para milhares de pessoas ao redor do mundo, especialmente em nações com menor poder econômico.

A ampliação da lista e os países afetados

Com a inclusão recente de sete novos países, a lista passou a reunir 13 nações, sendo a maioria localizada no continente africano. Entraram nessa relação Butão, Botsuana, República Centro-Africana, Guiné, Guiné-Bissau, Namíbia e Turcomenistão.

Esses países se juntam a outros que já haviam sido incluídos anteriormente, como Mauritânia, São Tomé e Príncipe, Tanzânia, Gâmbia, Malawi e Zâmbia.

Na prática, a exigência atinge populações inteiras que agora enfrentam um obstáculo financeiro para viajar aos Estados Unidos, mesmo para turismo ou negócios.

Como funciona a caução exigida pelo governo americano

A caução funciona como uma espécie de garantia financeira exigida de determinados solicitantes de visto. Os valores variam entre US$ 5 mil e US$ 15 mil, conforme avaliação feita por autoridades consulares durante o processo.

O pagamento não assegura que o visto será concedido, mas é uma condição adicional imposta a pessoas consideradas de maior risco de permanecer nos Estados Unidos além do prazo permitido.

Caso o visto seja negado ou o viajante cumpra todas as regras e deixe o país dentro do período autorizado, o valor é devolvido.

O argumento oficial das autoridades dos EUA

Segundo o governo americano, a medida tem como objetivo reduzir o número de estrangeiros que entram legalmente no país e acabam permanecendo de forma irregular. Autoridades defendem que a exigência da caução funciona como um forte incentivo para que o visitante respeite as condições do visto.

Além disso, a política faz parte de um pacote mais amplo de controle migratório, que inclui entrevistas presenciais mais rigorosas, análise detalhada do histórico de viagens e até a verificação de anos de atividade em redes sociais.

Impactos econômicos e sociais da exigência

Para muitos solicitantes, a exigência de até US$ 15 mil representa um valor praticamente inalcançável. Em diversos dos países incluídos na lista, essa quantia equivale a vários anos de renda média.

Críticos apontam que, na prática, a política cria uma barreira econômica que impede estudantes, trabalhadores e pequenos empresários de viajar legalmente aos Estados Unidos, mesmo quando não há qualquer intenção de imigração irregular.

Repercussão internacional e acusações de discriminação

A ampliação da lista também gerou críticas no campo diplomático e entre organizações de direitos humanos. Há quem veja a medida como discriminatória, por atingir majoritariamente países africanos e em desenvolvimento.

Especialistas alertam que políticas desse tipo podem prejudicar relações internacionais e reforçar desigualdades globais, ao transformar o acesso ao visto em um privilégio restrito a quem possui grande capacidade financeira.

O que muda para quem pretende solicitar o visto

Para os cidadãos dos países afetados, o processo de solicitação de visto americano se torna ainda mais complexo e imprevisível.

Além de reunir documentos tradicionais que comprovem vínculos com o país de origem, o solicitante deve estar preparado para a possibilidade de ter que apresentar uma garantia financeira elevada.

Isso faz com que muitos sequer iniciem o pedido, diante do custo envolvido e da incerteza de aprovação.

Para milhões de pessoas, o sonho de visitar o país passa a depender não apenas de documentação e intenção legítima, mas também de uma quantia financeira que poucos conseguem pagar.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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