Nos últimos três dias, um triste cenário se desenhou no litoral norte de São Paulo: 43 pinguins-de-Magalhães foram encontrados mortos em diferentes praias da região.
O fenômeno acontece justamente no início da temporada migratória da espécie, que costuma ocorrer entre junho e setembro, quando esses animais deixam a Patagônia, no extremo sul do continente, em busca de alimento e águas menos frias.
Mais de 40 pinguins são encontrados mortos em São Paulo
A presença de pinguins no litoral sudeste do Brasil, embora comum nesta época do ano, é acompanhada anualmente por registros de mortes, principalmente entre os indivíduos mais jovens.
Esses juvenis, por serem inexperientes e fisicamente mais frágeis, enfrentam maiores dificuldades durante a longa travessia oceânica.
Além do desgaste natural da migração, muitos deles acabam desorientados, ficam sem energia para se alimentar ou se machucam em redes de pesca, fatores que contribuem para o alto índice de mortalidade.
As ocorrências recentes foram registradas nas cidades de Ubatuba, Caraguatatuba, São Sebastião e Ilhabela. Além dos 43 animais mortos, outros quatro foram localizados com vida e encaminhados para reabilitação em centros especializados.
A ação de resgate e monitoramento é coordenada pelo Instituto Argonauta, responsável pela execução do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), uma iniciativa ligada às condicionantes ambientais da Petrobras.
Morte dos pinguins faz parte do fluxo migratório da espécie
Especialistas que acompanham a migração dos pinguins reforçam que, apesar da comoção causada pelo número elevado de mortes, ainda não há indícios de um fator atípico responsável por esse aumento.
Flutuações na quantidade de animais encalhados são esperadas de um ano para o outro e fazem parte do ciclo migratório da espécie.
Segundo o oceanógrafo Hugo Gallo Neto, presidente do Instituto Argonauta, é fundamental que a população evite qualquer tipo de contato com os animais encontrados nas praias. Ele alerta que tentar ajudar, movê-los ou alimentá-los pode comprometer ainda mais a saúde dos pinguins debilitados.
A recomendação é que, ao avistar qualquer animal marinho encalhado, as pessoas entrem em contato imediatamente com os serviços de resgate, por meio do número 0800-642-3341.
A atuação rápida das equipes técnicas é essencial para oferecer atendimento veterinário adequado, investigar as causas das mortes e, sempre que possível, garantir a recuperação e reintrodução dos animais à natureza.





