Com o aumento da expectativa de vida e o crescimento da população idosa, a longevidade tornou-se tema central no Brasil e no mundo. Dados do IBGE indicam que mais de 30 milhões de brasileiros têm 60 anos ou mais, representando cerca de 14% da população, percentual que deve crescer nas próximas décadas.
Esse envelhecimento acarreta mudanças significativas na economia, na sociedade e no mercado de trabalho, exigindo novas políticas públicas, produtos e serviços especializados. Paralelamente, o preconceito contra idosos — conhecido como “etarismo” — cresce globalmente, dificultando o acesso ao emprego e a plena participação social dessa parcela da população.
Longevidade dos profissionais
Um estudo divulgado em 2022 pela consultoria Bain & Company apontou que a longevidade de trabalhadores acima de 45 anos no mercado brasileiro aumentou de 24% em 2001 para 32% em 2021. No âmbito global, a previsão é de que, até o fim desta década, cerca de 150 milhões de vagas sejam ocupadas por pessoas com 55 anos ou mais.
Diante desse cenário, é fundamental que os profissionais dessa faixa etária estejam preparados para acompanhar as rápidas mudanças do mercado de trabalho, especialmente em um contexto descrito por alguns especialistas como um “mundo líquido”, caracterizado pela volatilidade das carreiras e pela necessidade constante de atualização.
Renato Bernhoeft, fundador da höft consultoria e especialista em longevidade, ressalta que “aprender deixou de ser uma fase da vida para se tornar um processo contínuo”. Ele enfatiza também a importância de os idosos se manterem atualizados em áreas como tecnologia e saúde, além de cultivarem relacionamentos sociais ativos para garantir o equilíbrio emocional e mental.
Envelhecimento na sociedade
A preparação para a aposentadoria e o envelhecimento tem sido pouco priorizada, afetando indivíduos e a sociedade. Mulheres geralmente estão mais preparadas devido a seus múltiplos papéis. O mercado de cuidadores cresce, mas falta qualificação para atender as demandas dos idosos.
Durante a pandemia, a renda dos idosos foi vital para muitas famílias, evidenciando a importância da inclusão econômica e do combate ao etarismo. A OMS recomenda envelhecimento ativo, com educação contínua, saúde e inclusão social.
Países europeus e asiáticos já adotam políticas eficazes que servem de exemplo para o Brasil. Especialistas destacam a necessidade de ampliar pesquisas, formar profissionais e desenvolver serviços para essa população crescente.






