Na segunda-feira (6), o governo federal atualizou a “lista suja” do trabalho escravo, o cadastro público que reúne empregadores flagrados submetendo trabalhadores a condições análogas à escravidão.
Nesta atualização, foram incluídos 169 novos nomes, sendo 102 pessoas físicas e 67 jurídicas, elevando o total para aproximadamente 613 registros.
A inclusão na lista ocorre somente após a conclusão de processo administrativo sem possibilidade de recurso. Os empregadores permanecem no cadastro por dois anos, podendo ser retirados caso regularizem sua situação e não reincidam.
Lista suja do trabalho
A montadora BYD entrou na lista após fiscalização em Camaçari (BA) que revelou 220 trabalhadores em alojamentos precários, com passaportes retidos e jornadas exaustivas; a empresa firmou acordo de R$ 40 milhões com o MPT-BA e empreiteiras.
O cantor Amado Batista aparece em dois registros em Goianápolis (GO); sua assessoria negou resgates e informou que obrigações trabalhistas foram cumpridas via TAC.
A atualização resultou no resgate de 2.247 trabalhadores em situações de exploração. Entre os setores com maior número de inclusões estão:
- Serviços domésticos (23 casos)
- Criação de bovinos para corte (18)
- Cultivo de café (12)
- Construção de edifícios (10)
- Serviços de preparação de terreno, cultivo e colheita (6)
Os registros ocorreram entre 2020 e 2025, abrangendo 22 unidades da Federação, com destaque para Minas Gerais, São Paulo, Bahia, Paraíba e Pernambuco. Além disso, 225 empregadores foram retirados por cumprirem o período de dois anos no cadastro.
Detalhes
Criada em 2004, a “lista suja” é publicada semestralmente pelo MTE e serve como referência para restrições em crédito, contratos públicos e investimentos, sem aplicar penalidade direta.
Desde julho de 2024, a portaria permite inclusão em lista de ajustamento de conduta, com indenização e programas de apoio aos trabalhadores resgatados, mantendo vigilância sobre reincidências.
O Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), criado em 1995 e com 30 anos de atuação em 2025, já resgatou mais de 68 mil trabalhadores, assegurando R$ 160 milhões em salários e rescisões.
Coordenado pela Auditoria-Fiscal do Trabalho, o grupo reforça a importância das fiscalizações para a proteção dos direitos trabalhistas.






