O líder de um esquema ilegal de TV por assinatura conhecido como “gatonet” chegou a ganhar cerca de R$ 5 milhões por ano com a atividade criminosa.
A dimensão do negócio chamou a atenção da Justiça de São Paulo, que decidiu aumentar a pena do responsável e determinou o cumprimento da condenação em regime fechado.
Líder do esquema do gatonet ganhava R$ 5 milhões por ano
O condenado comandava um serviço clandestino de IPTV a partir de Penápolis, no interior paulista. Ele era apontado como o principal articulador de uma estrutura organizada que funcionou por anos oferecendo acesso não autorizado a canais de televisão, filmes e séries.
O serviço era vendido pela internet a preços muito inferiores aos praticados pelas operadoras legais, com mensalidades que partiam de R$ 25, o que facilitava a adesão de milhares de usuários.
As investigações indicaram que a plataforma chegou a reunir aproximadamente 17 mil clientes ativos. A partir desse número, autoridades e entidades do setor audiovisual estimaram que o faturamento anual do esquema alcançava R$ 5,2 milhões.
O sistema utilizava uma espécie de painel central, responsável por administrar cadastros, transmissões e pagamentos, além de integrar diversos sites e marcas diferentes que, na prática, faziam parte da mesma rede criminosa.
O volume de dinheiro movimentado não se limitava à venda dos pacotes ilegais. Para ocultar a origem dos recursos, o líder do gatonet lançou mão de empresas de fachada, contas em nome de terceiros e um grande número de transações financeiras.
Segundo a Justiça, cerca de R$ 13 milhões passaram por esse processo de dissimulação.
Parte do dinheiro foi convertida em patrimônio de alto valor, como um imóvel avaliado em mais de R$ 1 milhão e veículos de luxo de marcas como Porsche, BMW e Land Rover.
Pena do líder do esquema do gatonet foi elevada
Inicialmente, ele havia sido condenado a seis anos e oito meses de prisão, em regime semiaberto. Após análise de recursos, o tribunal decidiu agravar a pena para sete anos e seis meses, além de determinar o regime fechado.
A decisão levou em conta a continuidade do crime mesmo após uma prisão anterior, quando o réu foi solto mediante pagamento de fiança e voltou a operar o esquema ilegal.
A atuação do gatonet vai além do prejuízo financeiro às emissoras e produtoras de conteúdo.
Segundo autoridades, essas plataformas enfraquecem o mercado formal, afetam empregos no setor audiovisual e expõem consumidores a riscos, como golpes, vazamento de dados e infecções por softwares maliciosos.
Por isso, operações contra a pirataria digital têm sido intensificadas no Brasil e em outros países da América Latina.
Mesmo com a pena ampliada, o condenado ainda pode tentar reverter a decisão em instâncias superiores.





