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Levantamento coloca Brasil como 8º maior emissor de gases por habitante

Por Leticia Florenço
26/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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O novo levantamento do EDGAR, banco de dados global mantido pela Comissão Europeia, apresentou uma mudança importante na forma como o Brasil aparece no cenário climático internacional.

Em vez de olhar apenas para o total de gases lançados na atmosfera, o estudo analisa quanto cada habitante, em média, contribui para o aquecimento global.

Nesse recorte, o país ocupa o 8º lugar entre os 10 maiores emissores do planeta, com 5,93 toneladas de CO₂ equivalente por pessoa em 2024, um número que revela hábitos de consumo, matriz energética e impactos diretos da atividade econômica brasileira.

Por que o ranking muda quando a análise é per capita

Ao dividir as emissões totais pela população, países com bilhões de habitantes perdem posições, enquanto aqueles com produção energética intensiva sobem. É por isso que a Índia, apesar de ser o terceiro maior emissor total, aparece em último lugar entre os dez analisados, com apenas 3 toneladas por pessoa.

O tamanho gigantesco da população dilui o impacto individual. Já nações dependentes de combustíveis fósseis, como Arábia Saudita, Rússia e Estados Unidos, lideram o ranking por habitante, refletindo níveis elevados de consumo energético e modelos produtivos altamente poluentes.

Os líderes globais por pessoa e a posição brasileira no bloco

No topo da lista aparece a Arábia Saudita, com impressionantes 22,8 toneladas de CO₂ equivalente por habitante. Em seguida vêm Rússia, com 18 toneladas, e os Estados Unidos, com 17,3. China, apesar de liderar o mundo em emissões totais, aparece apenas na 5ª posição per capita, com 10 toneladas por pessoa.

O Brasil, na 8ª colocação, aparece acima de países como Indonésia e Índia, mostrando que, embora não seja o maior emissor absoluto, ainda carrega uma pegada ambiental por pessoa maior do que o ideal para um país com vocação florestal e matriz energética relativamente limpa.

O que explica a posição do Brasil nesse recorte

As emissões brasileiras têm características próprias, intensificam-se com o desmatamento, com a pecuária e com a expansão agrícola. Diferentemente de países onde o setor industrial e energético domina as emissões, grande parte da poluição nacional está atrelada a mudanças no uso da terra.

A derrubada de florestas libera grandes quantidades de CO₂, e a criação de gado adiciona volumes altos de metano, um gás de efeito estufa muito mais potente que o dióxido de carbono.

Além disso, o transporte rodoviário, altamente baseado em combustíveis fósseis, também contribui significativamente para o índice por habitante.

A queda brasileira no ranking total e o contexto global

Apesar da 8ª posição per capita, o Brasil caiu de 6º para 7º lugar no ranking total de emissões entre 2023 e 2024, sendo ultrapassado pela Indonésia. O país registrou 1.299 megatoneladas de CO₂ equivalente no último ano, enquanto a China, líder absoluta, ultrapassou 15.500 megatoneladas.

Em seguida vêm Estados Unidos e Índia. Esses números mostram que, mesmo com matriz elétrica majoritariamente renovável, o peso do desmatamento e das atividades agropecuárias mantém o Brasil entre os grandes emissores globais.

Por que os gases de efeito estufa continuam sendo um alerta

Os gases responsáveis pelo aquecimento global, CO₂, metano, óxido nitroso e compostos industriais, têm a capacidade de reter calor na atmosfera e intensificar o efeito estufa.

O aumento dessas concentrações impulsiona o aquecimento global, acelera o derretimento de geleiras, eleva o nível dos oceanos e provoca eventos climáticos extremos.

O EDGAR mede exatamente essas emissões associadas principalmente a atividades humanas: geração de eletricidade com combustíveis fósseis, transportes, agricultura intensiva e processos industriais.

Desafios e caminhos para uma redução efetiva

O fato de o Brasil ocupar posição tão elevada entre os maiores emissores per capita aciona o alerta para a necessidade de fortalecer políticas de redução do desmatamento, incentivar tecnologias limpas na agropecuária, ampliar o uso de energias renováveis no transporte e modernizar setores industriais.

Com vasta biodiversidade e um dos maiores potenciais de energia limpa do mundo, o país tem condições de liderar a transição verde, mas isso depende de ações firmes e contínuas, capazes de transformar números preocupantes em resultados sustentáveis ao longo das próximas décadas.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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