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Lei que determina proibições vai afetar gravemente o Atacadão e Assaí

Por Leticia Florenço
11/11/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Muito antes dos grandes atacarejos se tornarem o paraíso dos carrinhos lotados e das compras mensais, os mercados brasileiros eram improvisados: corredores estreitos, atendimento limitado e nenhuma preocupação real com acessibilidade.

A ideia de que todos os consumidores, inclusive pessoas com deficiência e mobilidade reduzida, deveriam circular com autonomia é algo recente. Agora, essa história acaba de ganhar um capítulo decisivo.

Na Bahia, uma lei recém-implantada está mexendo com a estrutura das maiores redes do setor, incluindo Atacadão, Assaí, Carrefour, Atakarejo e outras.

Nova lei em vigor

Desde março de 2025, entrou em vigor a Lei 14.771/2024, que exige mudanças profundas no funcionamento de supermercados no estado. Não se trata de melhorias opcionais, mas de uma obrigação legal permanente.

A legislação determina que cada loja mantenha pelo menos dez funcionários treinados especificamente para auxiliar pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.

Esses profissionais devem ajudar a encontrar produtos, colocar itens no carrinho, informar preços, peso, datas de validade e até acompanhar o cliente até o caixa quando necessário.

Avisos obrigatórios e direito à assistência

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Além do treinamento, as lojas são obrigadas a instalar placas visíveis informando que o consumidor tem direito a atendimento especializado. Deve existir um balcão identificado exclusivamente para esse serviço, e ao menos um funcionário capacitado precisa estar disponível durante todo o horário de funcionamento.

Se a loja estiver aberta, o atendimento especializado tem que estar ativo. Não há exceção para pequeno porte, unidade de bairro ou mesmo grandes redes: todas são obrigadas a se adequar.

Penalidades e multas pesadas

O descumprimento da norma não termina em advertência. A lei prevê multas que começam em R$ 2 mil e podem chegar a R$ 10 mil em caso de reincidência.

A fiscalização será conduzida pela Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social da Bahia, que pode agir tanto por denúncias quanto por inspeções diretas. Ou seja, qualquer consumidor pode solicitar fiscalização caso não receba o atendimento previsto.

A lei torna proibido manter o estabelecimento sem funcionários treinados no local ou deixar de informar o consumidor sobre o direito à assistência. Também reforça obrigações estruturais já existentes: rampas, corrimãos, banheiros acessíveis e piso tátil devem estar adequados.

Isso pressiona o modelo de operação das redes de atacarejo, que funcionam com poucos funcionários em cada setor para reduzir custos e aumentar a margem de lucro.

Por que Atacadão e Assaí serão os mais afetados

O modelo do atacarejo prioriza velocidade, grande circulação de clientes e baixo número de funcionários por turno. Agora, essas redes terão de reestruturar equipes, rever escalas, investir em treinamentos constantes e adaptar comunicação interna e externa.

Cada minuto sem profissional habilitado significa risco de multa. A operação enxuta, que antes era vantagem competitiva, torna-se um obstáculo diante da nova legislação.

Adaptar cada loja envolve investimento financeiro imediato: contratação de equipe, treinamentos contínuos, adequações arquitetônicas e implantação de uma nova rotina operacional.

No atacarejo, onde as margens são menores e o lucro depende do volume, esse tipo de mudança afeta diretamente o caixa. Em uma rede com dezenas de lojas no estado, o impacto pode chegar a milhões.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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