O empresário João Ricardo Rangel Mendes, fundador e ex-CEO da Hurb, antiga Hotel Urbano, passou por uma avaliação psiquiátrica no final de julho que apontou indícios de transtorno mental grave.
O laudo médico foi peça-chave para que a Justiça do Rio de Janeiro autorizasse sua saída da prisão, onde permaneceu por quase três meses. A medida incluiu a aplicação de tornozeleira eletrônica e outras restrições.
Embora Mendes esteja no centro de um histórico de milhares de queixas contra sua empresa, a prisão que enfrentou não tinha ligação com as ações movidas por consumidores, mas sim com a acusação de furtos.
Justiça pede avaliação de sanidade mental do dono da Hurb
A prisão preventiva do executivo da Hurb ocorreu no fim de abril deste ano, após ele ser flagrado com obras de arte e objetos furtados no Hotel Hyatt e no escritório Duda Porto Arquitetura, ambos na Barra da Tijuca, zona oeste da capital fluminense.
Entre os itens recuperados pela polícia estavam dois quadros, uma carteira e um iPad, avaliados em aproximadamente R$ 23 mil, encontrados em seu apartamento, em um condomínio de alto padrão.
Durante o processo, a defesa argumentou que Mendes sofre de psicose maníaco-depressiva, agravada a partir de um quadro anterior de bipolaridade.
Um laudo assinado por um psiquiatra de renome sustentou que, no momento dos crimes, ele apresentava comportamento maníaco intenso e não tinha plena consciência de seus atos.
Diante dessas alegações, o juiz André Felipe Veras de Oliveira, da 32ª Vara Criminal do Rio, determinou a instauração de um incidente de insanidade mental para avaliar oficialmente a condição do réu.
Como parte das medidas cautelares, Mendes entregou o passaporte, está proibido de sair do Rio de Janeiro por mais de 30 dias sem autorização judicial e não pode frequentar o hotel e o escritório onde ocorreram os furtos.
Sua defesa também se comprometeu a apresentar relatórios clínicos periódicos sobre seu estado de saúde.
Hurb enfrenta milhares de processos na justiça
Paralelamente, a Hurb enfrenta um vasto passivo jurídico. Desde 2020, a empresa acumula reclamações e ações judiciais por descumprimento de contratos, especialmente pacotes de viagem não entregues e atrasos no reembolso de clientes.
No Rio de Janeiro, a companhia já foi ré em mais de 17 mil processos, e em todo o país o número ultrapassa a casa das centenas de milhares. Apesar disso, os processos relacionados à atividade comercial seguem um curso separado do caso criminal que envolveu seu fundador.
O futuro judicial de João Mendes dependerá do resultado da perícia psiquiátrica e de como a Justiça avaliará sua responsabilidade penal diante das acusações de furto. Enquanto isso, o imbróglio com os consumidores continua a marcar a imagem da Hurb no mercado de turismo.






