O jumento nordestino, historicamente associado ao trabalho no sertão e à adaptação às condições mais severas do semiárido, tornou-se protagonista de uma discussão que vai muito além da cultura regional.
Presente há décadas na rotina de pequenos produtores, o animal que já foi essencial para o transporte e a agricultura familiar hoje enfrenta um cenário de redução populacional e forte pressão comercial.
No Ceará, relatos indicam que jumentos podem ser vendidos informalmente por valores simbólicos, variando entre R$ 1 e R$ 10, dependendo da condição do animal e da negociação local.
Um mercado milionário do outro lado do mundo
Embora desvalorizado no contexto local, o jumento se torna altamente lucrativo na cadeia internacional, especialmente na Ásia. Após o abate e processamento, a pele do animal é utilizada para extração de colágeno, substância empregada na fabricação de produtos cosméticos e suplementos.
Nesse mercado, o valor agregado pode atingir cifras próximas de R$ 1.500 por animal, evidenciando uma diferença impactante entre o preço pago ao produtor e o valor final da cadeia industrial. Esse descompasso levanta questionamentos sobre ética, rastreabilidade e sustentabilidade.
Debate político e avanço no Senado
Na última quarta-feira (20), a Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa aprovou a Sugestão Legislativa SUG 9/2025, que propõe a proibição do abate de jumentos em todo o território nacional.
De acordo com a Agência Senado, a proposta agora passa a tramitar como projeto de lei, abrindo caminho para um debate mais amplo no Congresso Nacional.
Proteção animal e risco de extinção entram na pauta
Entre as justificativas apresentadas para a proposta estão a preocupação com o bem-estar animal e o risco de desaparecimento da espécie no Brasil. Organizações e parlamentares defendem que o ritmo atual de abate pode levar a uma redução crítica da população de jumentos no país.
Além disso, há a defesa de que a proibição também funcionaria como medida preventiva contra práticas irregulares e contra a exploração descontrolada da espécie.
A discussão sobre o futuro do jumento no Brasil ainda está longe de um desfecho. Com a tramitação do projeto de lei no Senado, o tema deve ganhar novos capítulos envolvendo setores do agronegócio, defensores dos animais e o próprio governo.






