Uma jovem brasileira que sofreu um acidente devastador no metrô de Nova York recebeu quase dez anos depois uma decisão da justiça que surpreendeu até especialistas em direito.
A Justiça dos Estados Unidos determinou que ela será indenizada em um valor que a coloca entre os maiores casos de compensação já registrados contra o sistema de transporte da cidade.
A sentença, divulgada recentemente, transforma a jovem em milionária e reabre o debate sobre a segurança das plataformas do metrô nova-iorquino.
Jovem que perdeu braço e perna no metrô de Nova York tem decisão chocante da Justiça dos EUA
A vítima é Luisa Janssen Harger da Silva, que tinha 21 anos quando viajou a Nova York para visitar o namorado. Durante a estadia em 2016, ela desmaiou enquanto aguardava o trem em uma estação no Brooklyn.
Sem conseguir se manter de pé, caiu sobre os trilhos e foi atingida pela composição que chegava.
O impacto violento provocou a amputação de um braço e de uma das pernas. Luisa passou semanas internada e enfrentou cirurgias complexas e um longo processo de recuperação física.
A partir do ano seguinte, seus advogados iniciaram uma ação judicial contra a MTA, a autoridade que administra o transporte público da cidade. A defesa sustentou que o acidente não poderia ser tratado como algo imprevisível.
Segundo documentos apresentados ao tribunal, a MTA tinha informações de mais de uma década apontando que quedas nas vias eram um risco constante para passageiros.
A equipe jurídica também afirmou que a agência havia recebido propostas de grandes empresas para instalar portas de plataforma em todas as estações, sem custo direto para o sistema.
Em troca, as companhias exibiriam publicidade nas estruturas. Apesar disso, nenhuma medida concreta foi adotada.
Justiça determinou o pagamento de mais de 400 milhões de indenização
Os advogados argumentaram que a ausência de providências configurava negligência e que a tragédia poderia ter sido evitada com barreiras de proteção.
A corte federal responsável pelo caso aceitou essa interpretação e definiu o pagamento de uma indenização superior a 80 milhões de dólares. A cifra, convertida para reais, ultrapassa os 400 milhões.
A MTA informou que pretende recorrer da decisão da justiça e justificou que não pode responder por decisões administrativas antigas.
A agência afirmou ainda que já instalou algum tipo de barreira em mais de cem estações, embora reconheça que o sistema completo de portas não é viável em todas as plataformas devido a características físicas e de acessibilidade.
Mesmo com o recurso anunciado, a decisão representa um marco para Luisa e reforça a pressão por mudanças estruturais no metrô de Nova York.






