Lançado em 2011 pela pesquisadora cazaque Alexandra Elbakyan, então com 22 anos e ainda na pós-graduação, o Sci-Hub surgiu como uma reação às dificuldades de acesso a artigos científicos protegidos por pagamento.
A plataforma reúne dezenas de milhões de publicações acadêmicas e opera como um repositório alternativo, contornando os chamados paywalls utilizados por editoras científicas para restringir o acesso ao conteúdo. Com o passar do tempo, o Sci-Hub passou a ser classificado por editoras acadêmicas como um serviço “pirata”, por disponibilizar material protegido por direitos autorais sem autorização.
Plataforma de ciência gratuita
Segundo dados divulgados pelo próprio projeto, o acervo ultrapassa 80 milhões de artigos e reúne aproximadamente 100 terabytes de informação, em sua maioria composta por publicações de periódicos científicos.
O impacto do Sci-Hub sobre o acesso à produção acadêmica segue como tema de debate e análise. Estudos apontam que trabalhos obtidos pela plataforma costumam apresentar maior volume de citações em relação a outros artigos, o que pode indicar maior alcance e visibilidade no meio científico.
Em contrapartida, o serviço enfrenta restrições em diversos países e é alvo de ações judiciais movidas por grandes editoras, como Elsevier, Wiley e American Chemical Society, que alegam violação de direitos autorais.
Acesso às publicações
A defesa do Sci-Hub parte da crítica ao modelo tradicional de publicação científica, baseado em assinaturas e paywalls, que, segundo seus apoiadores, restringe o acesso ao conhecimento, sobretudo em países com menos recursos.
Estima-se que apenas cerca de 28% da produção científica global esteja disponível em acesso aberto, enquanto a maior parte permanece fechada atrás de sistemas de pagamento ou acesso institucional. Esse cenário também é associado a desigualdades estruturais no meio acadêmico.
Universidades de países desenvolvidos têm maior acesso a bases pagas e melhores condições de publicação, enquanto pesquisadores de regiões com menos recursos enfrentam restrições para consultar e divulgar estudos. Além disso, os altos custos de publicação em acesso aberto podem dificultar a participação de autores sem apoio institucional.






