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Johnson & Johnson deve pagar US$ 1 bilhão por talco cancerígeno

Por Leticia Florenço
09/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Johnson & Johnson - Reprodução

Johnson & Johnson - Reprodução

Na segunda-feira, 6 de outubro, um júri em Los Angeles condenou a Johnson & Johnson a pagar US$ 966 milhões à família de Mae Moore, uma mulher da Califórnia que morreu em 2021 vítima de mesotelioma, um câncer raro ligado à exposição ao amianto.

O júri dividiu a indenização em duas partes: US$ 16 milhões destinados a compensar danos diretos à família e US$ 950 milhões em danos punitivos, destinados a punir a companhia e servir de exemplo contra práticas consideradas negligentes.

Acusações contra o talco

A família de Mae Moore alegou que o mesotelioma foi causado pelo uso prolongado do talco para bebês, contaminado com amianto. A empresa, por sua vez, nega que seus produtos contenham a substância ou possam causar câncer, mas enfrentou milhares de processos semelhantes ao longo dos anos.

Em 2023, após a pressão de dezenas de milhares de ações judiciais, a Johnson & Johnson encerrou a venda de seu talco para bebês globalmente. As ações alegavam que o produto causava mesotelioma, câncer de ovário e outros tipos de tumores graves.

Tentativas de blindagem jurídica

A companhia tentou em três ocasiões encerrar o litígio usando manobras jurídicas de falência. Em 2021, criou a subsidiária LTL Management, que herdaria os passivos relacionados ao talco e entraria em falência para proteger a controladora.

No entanto, tribunais federais rejeitaram essas tentativas, alegando falhas processuais e ausência de consentimento dos requerentes.

Recurso anunciado pela empresa

Erik Haas, vice-presidente de litígios da Johnson & Johnson, declarou que a empresa pretende recorrer “imediatamente” da sentença, classificando-a como “chocante e inconstitucional”.

O recurso deve prolongar ainda mais a batalha judicial, que já se estende por décadas.

Impacto

O caso de Mae Moore reforça a atenção sobre os produtos de higiene infantil e a responsabilidade das empresas em relação à segurança do consumidor.

Especialistas alertam que decisões como esta podem estimular novas ações e aumentar a pressão regulatória sobre empresas que comercializam produtos potencialmente prejudiciais à saúde.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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