A consagração de três artistas que carregam a força da identidade brasileira ganhou o palco do Grammy Latino 2025.
Mestrinho, João Gomes e Jota Pê uniram talento, afeto e autenticidade no álbum “Dominguinho”, obra que não apenas arrebatou o prêmio de Melhor Álbum de Música de Raízes em Língua Portuguesa, mas também reafirmou a potência da música nordestina diante do mundo.
Realizada em Las Vegas, a 26ª edição do evento transformou a noite do dia 13 em um marco cultural que ficará registrado na história da música brasileira.
Um prêmio que celebra mais que um disco
O discurso emocionado de Mestrinho resumiu a essência do projeto: um encontro genuíno entre três amigos que respiram música. Ele destacou que “Dominguinho” nasceu do afeto, da convivência e da entrega artística: nada de fórmulas comerciais, apenas a verdade de quem ama profundamente o próprio ofício.
Essa sinceridade sonora e emocional transparece em cada faixa e foi um dos elementos que conquistou os jurados do Grammy, e o público, que abraçou o trio de forma calorosa.
Inspirado no legado de Dominguinhos, o álbum é uma homenagem à sanfona, ao forró raiz, às tradições que moldam a identidade musical do Nordeste. O projeto traz texturas sonoras que conversam com o clássico e o contemporâneo, criando um diálogo entre gerações e reafirmando que o forró segue vivo, pulsante e universal.
Quem são eles e por que esse encontro importa
De Itabaiana, Sergipe, Mestrinho já possui trajetória consolidada e é reconhecido como um dos maiores sanfoneiros do Brasil. Filho do também sanfoneiro Erivaldo de Carira, cresceu com o instrumento no colo e, desde criança, demonstrou domínio e sensibilidade raros.
Este é seu segundo Grammy Latino, após vencer em 2024 com o disco Mariana e Mestrinho, reforçando seu papel como referência cultural.
Com voz marcante e presença humilde, João Gomes conquistou o país e agora o cenário internacional. Sua parceria com Mestrinho e Jota Pê mostrou que ele pode transitar entre estilos sem perder sua essência.
Jota Pê representa a nova geração de artistas da música brasileira, trazendo leveza, melodia e profundidade. Sua interpretação no álbum foi fundamental para equilibrar tradição e inovação.
A crítica especializada destacou a maturidade artística do trio e a qualidade técnica do álbum. Já o público celebrou nas redes sociais, reconhecendo a importância de ver artistas nordestinos ocupando palcos tão grandiosos e simbólicos.
Os outros indicados da categoria
A premiação também reuniu nomes fortes, provando o alto nível da disputa:
- Casa Coração — Joyce Alane
- Ao Vivo no CCB: Homenagem a José Mário Branco — Camané
- Universo de Paixão — Natascha Falcão
- Transespacial — Fitti
Mesmo em meio a obras tão potentes, Dominguinho brilhou com personalidade própria.
Essa conquista ultrapassa o reconhecimento artístico. Ela leva o forró, a sanfona e a poesia nordestina para o mapa global, mostrando que nossas raízes têm valor universal e que a música brasileira continua sendo uma das mais ricas do planeta.





