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Japão pode ficar ainda mais rico com descoberta de mineral mais caro que ouro

Por Leticia Florenço
09/02/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Ouro - Foto: (Imagem/Reprodução)

Ouro - Foto: (Imagem/Reprodução)

O governo do Japão anunciou a recuperação de sedimentos marinhos profundos contendo minerais de terras raras nas proximidades da ilha de Minamitorishima, território remoto localizado no Oceano Pacífico.

A extração foi realizada por uma embarcação especializada em perfuração em águas ultraprofundas, alcançando cerca de 6.000 metros abaixo da superfície, um feito considerado significativo pela comunidade científica.

A operação representa um passo inicial rumo à possível exploração comercial de recursos minerais submarinos, área vista como estratégica em meio à crescente disputa global por matérias-primas críticas.

Terras raras são consideradas essenciais para tecnologia moderna

As chamadas terras raras formam um grupo de 17 elementos químicos fundamentais para a fabricação de produtos de alta tecnologia. Elas são empregadas na produção de celulares, veículos elétricos, turbinas eólicas, baterias avançadas, equipamentos militares e ímãs de alto desempenho resistentes ao calor.

Embora o nome sugira escassez, esses elementos são relativamente abundantes na crosta terrestre. O principal desafio está na concentração econômica e no complexo processo de separação e refino, fatores que elevam seu valor estratégico e comercial.

Por sua relevância industrial, os minerais são frequentemente chamados de “ouro do século XXI”.

Movimento estratégico para reduzir dependência chinesa

Atualmente, a China lidera a produção e o processamento global de terras raras, especialmente das chamadas terras raras pesadas, amplamente utilizadas em setores de defesa e energia limpa. Essa concentração preocupa países industrializados, que buscam diversificar suas cadeias de suprimento.

Autoridades japonesas afirmaram que a iniciativa visa fortalecer a segurança econômica nacional e evitar dependência excessiva de um único fornecedor internacional.

A exploração doméstica dos minerais pode representar maior autonomia estratégica em um cenário geopolítico marcado por disputas comerciais e tecnológicas.

Potencial impacto econômico

Especialistas avaliam que, caso a exploração se mostre tecnicamente e financeiramente viável, o Japão poderá se consolidar como fornecedor relevante de minerais críticos no mercado internacional.

Isso poderia beneficiar diretamente sua indústria automotiva, eletrônica e de defesa, além de impulsionar investimentos em inovação e pesquisa.

O país já é reconhecido por sua forte base tecnológica e industrial. A disponibilidade interna de matérias-primas estratégicas pode ampliar sua competitividade global, especialmente na corrida por tecnologias voltadas à transição energética.

Desafios ambientais e viabilidade comercial

Apesar do entusiasmo, a mineração em águas profundas levanta preocupações ambientais. Ecossistemas marinhos situados a grandes profundidades ainda são pouco estudados, e cientistas alertam para possíveis impactos irreversíveis caso a exploração seja ampliada.

Além disso, a operação envolve custos elevados e desafios técnicos consideráveis. O governo japonês deve realizar análises detalhadas para avaliar a viabilidade econômica da extração em larga escala antes de avançar para uma fase comercial.

Nova etapa na disputa por recursos estratégicos

A descoberta reforça uma tendência global de busca por minerais críticos, considerados essenciais para o desenvolvimento tecnológico e para a transição energética. Assim como o petróleo foi determinante no século XX, as terras raras ocupam posição central nas estratégias econômicas e militares do século XXI.

Se confirmada a viabilidade do projeto, o Japão poderá transformar o fundo do mar em uma fonte relevante de riqueza e segurança estratégica, reposicionando-se no cenário internacional de fornecimento de minerais essenciais.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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