A Polícia Federal finalizou o inquérito que apura o funcionamento de uma estrutura clandestina de vigilância dentro da Agência Brasileira de Inteligência (Abin) e encaminhou ao Supremo Tribunal Federal (STF) o nome de 36 pessoas indiciadas — entre elas, o vereador Carlos Bolsonaro (Republicanos-RJ) e o deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ).
Segundo as investigações, tratava-se de uma rede de espionagem ilegal operando dentro da Abin, à época dirigida por Ramagem, durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A acusação mais grave envolve o uso da agência de inteligência para monitorar autoridades públicas de forma ilícita, sem autorização judicial ou respaldo legal.
A apuração detalha que agentes da própria PF e servidores da Abin, cedidos temporariamente, estariam articulados em uma organização criminosa voltada à prática de atos de vigilância não autorizada, inclusive contra autoridades do exterior.
Um dos episódios identificados envolve a obtenção de dados sigilosos de figuras públicas paraguaias envolvidas nas tratativas sobre a usina hidrelétrica de Itaipu, que é administrada em regime binacional.
Implicações e reações políticas

O inquérito, que ficou conhecido como caso da “Abin Paralela”, vem sendo analisado com atenção tanto pelo Judiciário quanto pelo meio político. Alexandre Ramagem, que também foi pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro em 2024, ainda não se pronunciou sobre o indiciamento, mas já negou publicamente a existência do suposto esquema.
Já Carlos Bolsonaro, apontado por investigadores como um dos articuladores do núcleo político da operação paralela, usou suas redes sociais para declarar que a ação da PF tem motivação eleitoral e que se trata de uma tentativa de interferência nas eleições de 2026.
A própria Abin emitiu comunicado afirmando que não se manifestará sobre os indiciamentos. No entanto, em nota anterior divulgada em abril, o diretor-geral da agência, Luiz Fernando Corrêa, assegurou total disposição para colaborar com as autoridades competentes nas esferas administrativa, cível e criminal.
Supremo deve analisar encaminhamento nos próximos dias
Com a conclusão do inquérito, caberá agora ao Supremo Tribunal Federal decidir sobre os próximos desdobramentos judiciais do caso. A lista de 36 indiciados, que inclui nomes de relevância política e institucional, reforça o peso do processo e sua complexidade.
A atuação da Polícia Federal nesse caso representa mais um capítulo do esforço institucional para responsabilizar ações ilegais no campo da inteligência estatal e delimitar os limites legais de sua atuação em regimes democráticos.
* Com informações da Agência Brasil






