Mesmo depois de o governo italiano ter endurecido as normas para entrada e regularização de estrangeiros, pequenas cidades do interior da Itália continuam interessadas em receber imigrantes brasileiros.
Prefeitos de diversas comunas do Molise, região pouco habitada no centro-sul do país, apostam que a chegada de descendentes de italianos pode ajudar a reverter décadas de esvaziamento populacional.
A estratégia ganhou força com o programa Ritorno 2030, criado para aproximar ítalo-descendentes da terra de origem e estimular novas formas de vida comunitária.
Itália busca imigrantes brasileiros mesmo após novo decreto
O projeto surgiu de uma articulação entre a Cidadania4U, empresa brasileira especializada em reconhecimento de cidadania europeia, e a Cooperativa Regeneration, entidade que reúne municípios do Molise.
A iniciativa pretende facilitar a chegada de brasileiros que desejam estudar, trabalhar ou se estabelecer definitivamente em vilarejos que enfrentam queda acentuada no número de moradores.
Segundo seus idealizadores, o programa busca formar um fluxo constante de famílias e jovens que queiram reconstruir vínculos com a Itália e, ao mesmo tempo, contribuir para revitalizar áreas que hoje convivem com escolas sem alunos, comércio reduzido e pouca atividade econômica.
O Ritorno 2030 é direcionado a brasileiros com ascendência italiana, inclusive aqueles que ainda não concluíram o processo de reconhecimento da cidadania. A proposta combina serviços burocráticos, experiências culturais e apoio das prefeituras locais.
A Cidadania4U atua na parte documental, oferecendo orientação para cidadania jure sanguinis, emissão de identidade, passaporte e habilitação italiana.
Paralelamente, o programa abre portas para residentes temporários interessados em cursos, intercâmbios e vivências de curta duração que ajudem a compreender o ritmo de vida e as oportunidades da região.
Como participar do projeto para viver na Itália?
Para participar, o primeiro passo é manifestar interesse junto à Cidadania4U, que organiza visitas ao Molise e apresenta os municípios parceiros. Nessas viagens, os brasileiros conhecem escolas, imóveis disponíveis e potenciais áreas de trabalho.
Quem decide avançar recebe suporte das prefeituras, que podem oferecer auxílio em custos iniciais, como aluguel e transporte escolar.
A Cooperativa Regeneration acompanha esse processo e integra os recém-chegados à vida local, conectando-os a moradores, produtores, instituições e iniciativas culturais.
Embora as portas estejam abertas, o programa exige atenção. A vida em pequenas comunas é mais lenta e depende de adaptação.
Além disso, o reconhecimento da cidadania ainda segue as regras nacionais, afetadas pelo decreto recente que tornou parte dos trâmites mais rigorosa.
Mesmo assim, autoridades locais afirmam que o interesse em brasileiros permanece, já que veem neles uma chance concreta de renovar a região e preservar tradições que correm risco de desaparecer.






