O diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), Rafael Mariano Grossi, indicou que o Irã tem capacidade para reiniciar o enriquecimento de urânio em um curto prazo, mesmo após os recentes ataques realizados por Estados Unidos e Israel contra suas instalações nucleares.
Em entrevista à CBS News, Grossi afirmou que, embora alguns centros tenham sido danificados, diversas unidades permanecem em operação. “Em questão de meses, algumas cascatas de centrífugas poderão voltar a funcionar e produzir urânio enriquecido”, declarou, ressaltando que esse intervalo pode ser ainda menor.
O diretor da AIEA destacou que o Irã já detém um estoque de urânio enriquecido a 60%, nível próximo ao exigido para a fabricação de armas nucleares.
“Isso poderia gerar material suficiente para até nove ogivas nucleares se processado adequadamente. O país tem a capacidade industrial e tecnológica para isso e poderá reiniciar o processo caso deseje”, explicou Grossi.
Entretanto, permanece incerto o destino desse estoque, já que não está claro se parte dele foi removida ou destruída durante os ataques. “Será necessário esclarecer a localização e o estado desses materiais”, completou o diretor.
Restrições e tensões diplomáticas
No último sábado (28), o vice-presidente do parlamento iraniano, Hamid Reza Haji Babaei, anunciou que o Irã proibiu o acesso do diretor-geral da AIEA às suas instalações nucleares, removendo também os sistemas de vigilância desses locais.
A decisão veio após alegações de que Israel teria obtido informações confidenciais das usinas iranianas. O anúncio foi feito durante o funeral de oficiais militares e cientistas mortos nos ataques israelenses, segundo a agência Mehr.
A medida ocorre em meio a um cessar-fogo entre os países, embora detalhes sobre os dados supostamente capturados e a forma como foram obtidos ainda não tenham sido divulgados.
Contexto do conflito e acordo internacional
O conflito teve duração de 12 dias e foi iniciado por Israel, que justificou seus bombardeios como uma ação preventiva contra a produção de armamento nuclear por parte do Irã.
Teerã nega a intenção de fabricar armas atômicas, mas Grossi já havia denunciado o enriquecimento iraniano acima dos limites estabelecidos pelo acordo nuclear internacional.
Desde 2015, o Irã permite a inspeção de suas usinas e a instalação de dispositivos de monitoramento pela AIEA, conforme o pacto firmado com países como China, França, Rússia, Reino Unido, Estados Unidos, Alemanha e a mediação da União Europeia. O objetivo desse acordo é restringir o programa nuclear iraniano e evitar o desenvolvimento de armas.






