Embora muitas pessoas acreditem que a intolerância à lactose seja definitiva, ela nem sempre é permanente. Quando causada por lesões ou inflamações no intestino, chamada intolerância secundária, os sintomas podem ser temporários e reversíveis, segundo a nutricionista Ana Carolina Gatto em publicação nas redes sociais.
A condição surge pela deficiência da enzima lactase, que digere a lactose do leite em glicose e galactose para absorção pelo organismo.
Para confirmar a intolerância, os profissionais de saúde recorrem a exames específicos, como o teste respiratório de hidrogênio, exames genéticos e protocolos de eliminação e reintrodução alimentar, que permitem avaliar como o corpo reage ao composto.
Intolerância à lactose reversível
A condição apresenta quatro formas principais:
- Primária: a forma mais comum, de origem genética, marcada pelo declínio natural da lactase na adolescência ou início da vida adulta. Irreversível, seus sintomas podem ser controlados com eliminação de alimentos ricos em lactose ou suplementos com a enzima.
- Secundária: adquirida, ocorre quando o intestino delgado é afetado por infecções, inflamações, cirurgias ou uso prolongado de medicamentos como antibióticos e anti-inflamatórios. Geralmente reversível ao tratar a causa subjacente.
- Desenvolvimental: manifesta-se em recém-nascidos prematuros, cujos intestinos ainda não estão completamente maturados, e tende a melhorar naturalmente com o tempo.
- Congênita: extremamente rara, caracterizada pela ausência completa de lactase desde o nascimento.
É importante destacar que a intolerância à lactose não é o mesmo que alergia ao leite, que envolve uma resposta imunológica às proteínas do alimento.
Além disso, a capacidade de digerir o composto varia entre populações e grupos étnicos, influenciada por fatores genéticos que determinam se a lactase persiste ou diminui com a idade.
Tratamentos
Um diagnóstico preciso é essencial para orientar o tratamento e, sempre que possível, restaurar a tolerância à lactose, mostrando que o problema nem sempre está no leite, mas na saúde do intestino. O manejo varia conforme o tipo de intolerância.
Reduzir ou eliminar alimentos ricos no composto, como leite fresco, sorvetes e queijos cremosos, ajuda a aliviar os sintomas, enquanto a suplementação com lactase em comprimidos ou gotas facilita a digestão.
Na intolerância secundária, tratar a inflamação ou lesão intestinal pode permitir a recuperação da produção de lactase e o restabelecimento da tolerância.






