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Inteligência artificial responde melhor quando você é gentil

Por Leticia Florenço
27/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Profissionais com habilidades em IA

Inteligência Artificial - Reprodução/Unsplash

A inteligência artificial está cada vez mais presente em nossas interações diárias, desde assistentes virtuais até sistemas automatizados de atendimento.

Diante dessa presença constante, muitas pessoas passaram a se questionar: será que ser educado com a IA faz alguma diferença? Para a máquina, não. Mas para o ser humano, talvez sim.

Apesar de processar a linguagem natural com alta sofisticação, a IA não interpreta emoções. Quando você diz “obrigado” ou “por favor”, ela não sente apreço, empatia ou consideração. Essas palavras são interpretadas como meros componentes do texto, sem qualquer peso emocional.

Ainda assim, os sistemas mais avançados foram programados para reconhecer essas expressões e devolver respostas cordiais, o que ajuda a tornar a conversa mais natural, ainda que tudo seja automatizado.

A performance da IA não depende da sua educação

Se você pedir algo com polidez ou de forma mais direta, o resultado será exatamente o mesmo. Por exemplo, comandos como “ligue a luz” e “por favor, poderia ligar a luz?” acionam a mesma função, com a mesma eficiência. A IA vai cumprir a tarefa solicitada sem avaliar se você foi simpático ou não.

As respostas aparentemente “gentis” que você recebe em troca, como “Com prazer” ou “Claro, aqui está”, são parte de um script. Foram colocadas ali para imitar uma conversa humana, e não como reflexo de um sentimento. Assim, não se trata de um aprendizado emocional, mas de uma programação voltada à experiência do usuário.

O impacto está em quem usa, não em quem responde

A cortesia com máquinas pode não fazer diferença técnica, mas afeta a maneira como nós, humanos, mantemos e reforçamos certos padrões sociais.

Pesquisadores sugerem que continuar usando palavras educadas com sistemas artificiais contribui para preservar os hábitos de respeito e civilidade no cotidiano. Em outras palavras, você não está treinando a IA, está treinando a si mesmo.

Quando alguém age com delicadeza mesmo diante de um sistema que não sente, essa pessoa reafirma suas próprias práticas sociais.

A linha tênue entre humanização e ilusão

Há também uma dimensão mais complexa nessa relação: a humanização da IA. Ao conversar com máquinas que respondem com naturalidade, muitos usuários começam a projetar nelas traços humanos. Isso é chamado de antropomorfismo.

O risco aqui é esquecer que estamos lidando com algoritmos, não com consciências.

Esse comportamento pode levar à criação de vínculos artificiais, por vezes confortáveis, por vezes ilusórios. Há quem se apegue emocionalmente a assistentes virtuais, especialmente em situações de solidão.

Isso levanta discussões éticas e psicológicas sobre os limites dessa convivência cada vez mais presente com entidades que simulam, mas não sentem.

Uma escolha pessoal

A IA não muda sua resposta se você for gentil. Ela não sente, não julga, não interpreta intenções ocultas. Mas você sente, julga e interpreta.

Portanto, ser educado com a inteligência artificial não é sobre como ela vai reagir, mas sobre quem você decide ser durante o processo.

É um gesto silencioso de civilidade. Um lembrete de que, mesmo entre códigos e algoritmos, o fator humano ainda importa, e talvez sempre vá importar.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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