O governo federal prepara uma nova ofensiva para enfrentar o alto nível de endividamento das famílias brasileiras.
A iniciativa, que vem sendo chamada de “Desenrola 2.0”, promete ampliar o acesso à renegociação de dívidas, com foco especial na população de baixa renda inscrita no Cadastro Único (CadÚnico).
O anúncio oficial deve ser feito pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva após sua agenda internacional na Europa.
Anúncio depende de agenda internacional
Segundo integrantes da equipe econômica, o programa está em fase final de ajustes e será apresentado assim que o presidente retornar ao Brasil. A expectativa é que o projeto seja formalizado por meio de uma Medida Provisória, acelerando sua implementação.
Durante a viagem, Lula passará por cidades como Barcelona, Hannover e Lisboa, cumprindo compromissos diplomáticos e econômicos. Ao mesmo tempo, técnicos do Ministério da Fazenda trabalham para fechar os detalhes da proposta, sob coordenação do ministro Dario Durigan.
Foco nas famílias de baixa renda
O público-alvo do programa será formado principalmente por famílias que recebem até dois salários mínimos e estão cadastradas no CadÚnico, base de dados que reúne brasileiros em situação de vulnerabilidade social.
Há, no entanto, discussões internas sobre a possibilidade de ampliar o alcance para pessoas com renda de até cinco salários mínimos em determinadas modalidades. A ideia é criar diferentes faixas de renegociação, ampliando o impacto da medida.
Descontos e juros reduzidos
Um dos pontos mais aguardados do programa é o nível de desconto oferecido nas dívidas. A expectativa é que os abatimentos possam chegar a até 90% do valor total, dependendo do tipo de débito e da capacidade de pagamento do beneficiário.
Além disso, as novas condições de pagamento devem incluir juros mais baixos, entre 2% e 2,5% ao mês, patamar inferior ao praticado em linhas tradicionais de crédito, como cartão de crédito rotativo e cheque especial.
As renegociações devem abranger:
- Dívidas bancárias
- Contas de água
- Contas de energia elétrica
Restrições podem fazer parte do programa
Uma das novidades em discussão é a criação de regras de comportamento financeiro para os participantes. Entre as possibilidades avaliadas estão:
- Proibição de acesso a plataformas de apostas online (bets) enquanto houver dívida ativa
- Limitação ao uso de crédito caro, como rotativo do cartão
- Bloqueio temporário de novas linhas de crédito consideradas de alto risco
A proposta busca evitar o chamado “ciclo do endividamento”, incentivando maior responsabilidade financeira durante o período de renegociação.
Endividamento recorde pressiona governo
A criação do programa ocorre em um cenário preocupante: cerca de 80,4% das famílias brasileiras estavam endividadas em março de 2026, segundo dados recentes. O índice elevado reforça a urgência de medidas estruturais para aliviar o orçamento doméstico.
O governo aposta que, com a queda gradual dos juros no país, será possível oferecer condições mais acessíveis para renegociação, estimulando tanto o consumo quanto a recuperação econômica.
Integração com bancos públicos
Instituições financeiras públicas, como o Banco do Brasil, devem ter papel central na operacionalização do programa. A participação desses bancos é vista como estratégica para garantir capilaridade e condições diferenciadas de crédito.
A expectativa é que milhões de brasileiros consigam limpar o nome, recuperar acesso ao crédito e reorganizar suas finanças.
Ao mesmo tempo, a medida pode impulsionar a economia ao aumentar o poder de consumo das famílias, especialmente das camadas mais vulneráveis, que hoje enfrentam dificuldades para manter contas básicas em dia.





