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Injeção para emagrecer pode ser nova cura contra doenças do fígado

Por Leticia Florenço
10/03/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Injeção na barriga - Reprodução/iStock

Injeção na barriga - Reprodução/iStock

O fígado é um dos órgãos mais importantes do corpo humano. Responsável por centenas de funções essenciais, ele atua na digestão, no armazenamento de nutrientes, na produção de proteínas e na eliminação de toxinas.

No entanto, quando há acúmulo excessivo de gordura nesse órgão, podem surgir problemas de saúde que exigem atenção médica.

Nos últimos anos, pesquisadores e especialistas têm investigado novas formas de tratar essas condições. Entre as descobertas mais promissoras está o uso de medicamentos originalmente criados para o tratamento da obesidade.

Uma dessas substâncias, aplicada por meio de injeção, tem demonstrado potencial para melhorar quadros de gordura no fígado e reduzir complicações associadas.

A importância do fígado para o funcionamento do organismo

O fígado exerce um papel fundamental no equilíbrio do organismo. Ele participa de mais de 500 processos metabólicos, incluindo a filtragem de substâncias nocivas presentes no sangue e a produção de bile, fundamental para a digestão de gorduras.

Uma pequena quantidade de gordura nesse órgão é considerada normal. Entretanto, quando esse percentual ultrapassa cerca de 5% do peso do fígado, pode surgir um quadro conhecido como esteatose hepática, popularmente chamada de gordura no fígado.

Esse problema ocorre quando as células hepáticas começam a acumular gordura em excesso. Muitas vezes, a condição não apresenta sintomas claros no início, o que faz com que seja descoberta apenas durante exames de rotina.

Gordura no fígado pode evoluir para doenças mais graves

Apesar de inicialmente silenciosa, a esteatose hepática pode se tornar uma condição preocupante quando não tratada adequadamente. Em alguns casos, a inflamação provocada pelo acúmulo de gordura evolui para quadros mais complexos.

Entre as complicações possíveis estão a esteato-hepatite, caracterizada pela inflamação do fígado, além de fibrose hepática, cirrose e até câncer hepático. Por isso, especialistas reforçam a importância do diagnóstico precoce.

Exames laboratoriais e de imagem, como ultrassonografia e testes de função hepática, são frequentemente utilizados para identificar a doença e acompanhar sua evolução.

Nova possibilidade de tratamento chama atenção da medicina

Uma das novidades mais comentadas na área da hepatologia envolve o uso da semaglutida, medicamento que ganhou popularidade no tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.

Estudos recentes apontam que essa substância pode trazer benefícios também para pacientes com gordura no fígado. A medicação atua imitando a ação de um hormônio natural do organismo chamado GLP-1, responsável por regular o metabolismo da glicose e influenciar o apetite.

Ao agir nesse mecanismo, o medicamento ajuda a controlar os níveis de açúcar no sangue, reduz o apetite e contribui para a perda de peso, fatores diretamente relacionados à melhora da saúde do fígado.

Além disso, pesquisas indicam que o tratamento pode reduzir a inflamação hepática e diminuir a progressão da fibrose, que é uma cicatrização do tecido do fígado causada por inflamações repetidas.

Como funciona a ação da semaglutida no organismo

A semaglutida possui um mecanismo de ação bastante complexo e multifuncional. Entre seus principais efeitos estão:

  • Estímulo à produção de insulina pelo pâncreas
  • Redução da liberação de glucagon, hormônio que eleva a glicose no sangue
  • Retardo do esvaziamento gástrico, o que prolonga a sensação de saciedade
  • Auxílio no controle do peso corporal

Esses fatores combinados ajudam a melhorar o metabolismo e reduzir a sobrecarga do fígado. Como consequência, o órgão passa a funcionar de maneira mais eficiente e com menor acúmulo de gordura.

Tratamento exige acompanhamento médico

Apesar do potencial terapêutico, especialistas alertam que o uso da semaglutida deve sempre ocorrer com acompanhamento médico. O medicamento não deve ser utilizado de forma indiscriminada ou sem orientação profissional.

O tratamento geralmente é associado a outras estratégias importantes, como mudanças na alimentação, prática regular de atividade física e acompanhamento nutricional.

A combinação dessas medidas aumenta significativamente as chances de controle da doença e melhora da saúde metabólica.

Fatores de risco para gordura no fígado

De acordo com especialistas e órgãos de saúde, a gordura no fígado pode ser classificada em dois tipos principais:

  • Esteatose hepática alcoólica, causada pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas
  • Esteatose hepática não alcoólica, associada principalmente ao estilo de vida

Entre os principais fatores de risco estão:

  • Excesso de peso ou obesidade
  • Diabetes tipo 2
  • Hipertensão arterial
  • Síndrome metabólica
  • Síndrome do ovário policístico
  • Hipotireoidismo
  • Apneia do sono
  • Acúmulo de gordura abdominal

Estudos indicam que o excesso de peso está relacionado a cerca de 60% dos casos da forma não alcoólica da doença.

Mudanças no estilo de vida ainda são fundamentais

Embora novos tratamentos tragam esperança para milhões de pessoas, especialistas reforçam que a prevenção continua sendo o caminho mais eficaz contra a gordura no fígado.

Adotar hábitos saudáveis pode reduzir significativamente o risco de desenvolver a doença. Entre as principais recomendações estão manter uma alimentação equilibrada, praticar exercícios regularmente e evitar o consumo excessivo de álcool.

Essas medidas ajudam não apenas a proteger o fígado, mas também a melhorar a saúde geral do organismo.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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