A Organização Mundial da Saúde (OMS) incluiu oficialmente o lenacapavir entre as opções recomendadas para a prevenção do HIV. A diretriz foi divulgada durante a Conferência Internacional de AIDS, realizada em Kigali, Ruanda, e representa um passo significativo no enfrentamento global da infecção, sobretudo em áreas com alta incidência do vírus.
Recém-aprovado pela Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos Estados Unidos, o lenacapavir é um antirretroviral de aplicação semestral. Já autorizado anteriormente para tratar formas específicas da infecção por HIV, o medicamento demonstrou eficácia elevada na prevenção, com resultados promissores em estudos clínicos que apontam proteção quase completa contra o vírus.
Prevenção do HIV
A nova recomendação da OMS indica que o lenacapavir deve ser incorporado como uma opção adicional de profilaxia pré-exposição (PrEP), ampliando as alternativas disponíveis para pessoas em maior risco de contrair o HIV. Além disso, a diretriz incentiva a ampliação do uso de testes rápidos, inclusive os de uso domiciliar, para monitoramento no início, durante e após a interrupção dos métodos preventivos de longa duração.
Embora a PrEP tradicionalmente seja oferecida por meio de comprimidos diários ou injeções a cada dois meses, o lenacapavir representa uma alternativa prática para aqueles que têm dificuldade em seguir esquemas frequentes de medicação. A expectativa é que a administração semestral do medicamento facilite o acesso e a adesão especialmente entre populações vulneráveis e historicamente excluídas.
Barreiras
Apesar dos avanços científicos, a expansão do acesso ao lenacapavir enfrenta obstáculos financeiros significativos. Aproximadamente 80% dos programas de prevenção em países de baixa e média renda ainda dependem de recursos internacionais. A recente diminuição do financiamento dos Estados Unidos, especialmente com os cortes no PEPFAR — principal iniciativa americana contra a AIDS — coloca em risco a continuidade e a abrangência dessas ações preventivas.
Para mitigar esses impactos, a farmacêutica responsável pelo medicamento firmou um acordo com o Fundo Global para disponibilizá-lo a preço de custo em nações de menor renda, com a meta de alcançar até dois milhões de pessoas antes que versões genéricas estejam disponíveis no mercado. Entretanto, especialistas alertam que, sem o restabelecimento do financiamento internacional, milhões de indivíduos poderão perder o acesso tanto à prevenção quanto ao tratamento, comprometendo os avanços alcançados no combate à epidemia de HIV.






