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Inadimplência no aluguel sobe nessa região e preocupa mercado

Por Leticia Florenço
01/07/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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Aluguel - Reprodução/iStock

Aluguel - Reprodução/iStock

A taxa de inadimplência no pagamento de aluguéis na região Sul do Brasil tem apresentado aumento, mas importante o suficiente para preocupar especialistas e agentes do mercado imobiliário.

Apesar de o Sul ainda liderar como a região com menor índice de inadimplência do país, o aumento contínuo registrado, especialmente em Santa Catarina, acende um sinal de alerta sobre a saúde financeira das famílias e os possíveis impactos futuros no setor de locação.

Números ainda baixos, mas em movimento ascendente

Dados divulgados pela plataforma Superlógica mostram que a inadimplência média no Sul está em 2,70%, inferior à média nacional de 3,33% registrada no mês de maio.

Santa Catarina, que vinha apresentando índices ainda mais baixos, registrou alta pelo segundo mês consecutivo: passou de 2,20% em abril para 2,33% em maio. Mesmo que a variação seja pequena, a constância do crescimento indica uma possível tendência que não pode ser ignorada.

Orçamentos familiares sob pressão

Segundo Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias da Superlógica, o aumento nas taxas de inadimplência em estados tradicionalmente mais equilibrados economicamente aponta para uma deterioração do poder de pagamento das famílias.

O cenário é agravado pelas perspectivas de inflação e juros em alta, que afetam diretamente a capacidade dos inquilinos de manter seus compromissos em dia. Esse aperto orçamentário pode fazer com que atrasos se tornem mais frequentes e duradouros, exigindo novas abordagens por parte dos proprietários e das imobiliárias.

Diferenças entre imóveis residenciais e comerciais

O levantamento também faz distinções importantes entre tipos de imóveis. No Sul, a inadimplência em apartamentos chegou a 2% em maio, ainda abaixo da média nacional de 2,20%. Já no caso das casas, a taxa passou de 3,17% para 3,41%, também inferior à média nacional de 3,72%.

Os imóveis comerciais, por sua vez, apresentaram 3,45% de inadimplência, enquanto o índice nacional ficou em 4,58%. Essa segmentação revela comportamentos distintos de inadimplência conforme o uso do imóvel, sugerindo que a crise afeta públicos diferentes de formas específicas.

Comparativo nacional revela desigualdades regionais

O panorama geral do país mostra disparidades relevantes entre as regiões. Enquanto o Sul mantém os menores índices de inadimplência, o Norte registra 4,77%, o maior do país, seguido de perto pelo Nordeste, com 4,68%.

As regiões Sudeste e Centro-Oeste têm índices mais próximos, com 3,13% e 3,12%, respectivamente. Essa diferença reflete as condições econômicas e sociais locais e impõe desafios distintos às imobiliárias de cada região.

Valor do aluguel impacta diretamente a inadimplência

A faixa de preço do aluguel também influencia os índices de inadimplência. Os imóveis residenciais com aluguéis acima de R$ 13.000,00 registraram a maior taxa do país: 6,25%, a mais elevada desde junho de 2024.

Já os imóveis com aluguéis entre R$ 2.000,00 e R$ 3.000,00 tiveram a menor taxa: apenas 1,87%. No segmento comercial, a maior inadimplência foi observada em imóveis com aluguéis até R$ 1.000,00, com 7,28%, enquanto a menor foi na faixa entre R$ 2.000,00 e R$ 3.000,00, com 3,97%.

Esses dados sugerem que tanto aluguéis muito altos quanto muito baixos estão mais vulneráveis ao não pagamento, ainda que por razões distintas, luxo insustentável de um lado, dificuldade financeira severa do outro.

Monitorar os indicadores, compreender o comportamento dos locatários e antecipar tendências torna-se essencial para garantir a sustentabilidade do mercado de aluguel.

Se o alerta aceso for interpretado com responsabilidade, é possível reduzir os impactos e preservar a confiança entre inquilinos e proprietários, mesmo em tempos desafiadores.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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