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Imposto sobre eletrônicos: celulares entram na lista de produtos

Por Leticia Florenço
25/02/2026
Em Mais Tendências, Colunas
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Importação - Reprodução/iStock

Importação - Reprodução/iStock

O aumento do imposto de importação sobre eletrônicos e outros equipamentos reacendeu o debate econômico no Brasil. A medida, implementada pelo Ministério da Fazenda no início de novembro, mira mais de mil produtos e inclui itens populares como smartphones, freezers e painéis com tecnologia LCD ou LED.

A estimativa oficial é de um reforço de aproximadamente R$ 14 bilhões na arrecadação federal ainda neste ano, valor considerado estratégico para ajudar o governo a cumprir a meta de superávit fiscal.

A decisão ocorre em um momento de pressão sobre as contas públicas e de tentativa de fortalecimento da indústria nacional.

Desde o início do terceiro mandato do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a equipe econômica vem adotando medidas para recompor receitas e reduzir o déficit, o que inclui ajustes tributários em diferentes setores.

Smartphones e eletrônicos entram no radar

Entre os produtos mais sensíveis para o consumidor estão os telefones inteligentes. A elevação tarifária pode aumentar o custo de aparelhos importados e, indiretamente, influenciar preços no varejo.

Também foram afetados equipamentos industriais, máquinas, componentes eletrônicos e diversos bens usados na produção.

O aumento pode chegar a até 7,2 pontos percentuais em algumas categorias. Embora o foco principal sejam bens de capital e tecnologia, a medida repercute ao longo de toda a cadeia econômica, atingindo desde empresas até o consumidor final.

A estratégia do governo para proteger a indústria

O Ministério da Fazenda sustenta que a decisão é necessária para conter o avanço das importações. Segundo a pasta, as compras externas de bens de capital e informática cresceram 33,4% desde 2022, com participação superior a 45% no consumo nacional.

Na avaliação oficial, esse nível de penetração de produtos estrangeiros ameaça a cadeia produtiva brasileira e pode provocar regressão tecnológica. Por isso, o governo classifica a elevação tarifária como “moderada e focalizada”, defendendo que ela busca reequilibrar a concorrência e reduzir a vulnerabilidade externa.

Outro argumento é o alinhamento internacional. A equipe econômica afirma que diversos países vêm recorrendo a instrumentos tarifários para enfrentar dumping e choques externos, mantendo algum grau de proteção setorial.

Críticas do setor importador e temor inflacionário

Importadores e parte do setor produtivo reagiram com preocupação. Para essas empresas, o encarecimento de máquinas, peças e tecnologia pode reduzir investimentos e comprometer a modernização industrial.

Mauro Lourenço Dias, do Fiorde Group, avalia que muitas indústrias brasileiras operam com equipamentos envelhecidos e dependem de importações para se atualizar. Na visão dele, o aumento abrupto de custos pode gerar um efeito dominó na economia e prejudicar a competitividade internacional do país.

Entre os possíveis impactos apontados pelo setor estão:

  • Aumento no preço de televisores e eletrodomésticos
  • Encarecimento de equipamentos hospitalares
  • Elevação no custo de exames médicos
  • Pressão sobre obras de infraestrutura

O que diz o governo sobre a inflação

Apesar das críticas, o Ministério da Fazenda projeta impacto inflacionário limitado. A pasta argumenta que muitos dos itens afetados são bens de produção, não de consumo direto, e que existem regimes especiais que reduzem a incidência efetiva das tarifas.

Segundo o governo, o efeito sobre o IPCA tende a ser indireto, baixo e com defasagem. A expectativa oficial é que renegociações de preços, substituição de fornecedores e maior uso de conteúdo nacional ajudem a compensar parte da pressão de custos.

A porta aberta para reduções temporárias

Mesmo com o aumento, o governo manteve um mecanismo de flexibilização. Empresas podem solicitar redução temporária da alíquota para zero até 31 de março para produtos que já tinham esse benefício anteriormente. Se aprovado, o alívio pode valer por até 120 dias.

Essa brecha é vista como uma tentativa de equilibrar a proteção à indústria com a necessidade de não travar investimentos considerados essenciais.

Protecionismo em debate global

A decisão brasileira ocorre em meio a discussões internacionais sobre tarifas. Nos Estados Unidos, a Suprema Corte dos Estados Unidos derrubou parte do amplo aumento de tarifas imposto pelo presidente Donald Trump, conhecido como “tarifaço”.

O episódio reforçou o debate sobre até que ponto medidas protecionistas são eficazes ou prejudiciais ao comércio global. O governo brasileiro vinha criticando iniciativas desse tipo no exterior, mas defende que sua própria medida é pontual e necessária.

Uma economia ainda relativamente fechada

Estudos recentes indicam que, embora a abertura comercial brasileira tenha aumentado nos últimos anos, o país ainda mantém um grau de proteção maior que o de várias economias emergentes comparáveis.

Esse dado alimenta um debate estrutural: até que ponto o Brasil deve proteger sua indústria ou ampliar a integração com o mercado global. A nova rodada de tarifas recoloca essa discussão no centro da política econômica.

Lista ampla de produtos afetados

A medida não se limita aos celulares. A lista inclui desde equipamentos industriais pesados até itens tecnológicos e médicos, como:

  • Smartphones
  • Freezers
  • Robôs industriais
  • Tratores
  • Cartuchos de tinta
  • Painéis LCD e LED
  • Máquinas de impressão
  • Aparelhos de ressonância magnética
  • Tomógrafos

Parte dos aumentos já entrou em vigor, enquanto outra parcela começa a valer em março.

O que esperar daqui para frente

O impacto real da medida ainda dependerá da reação do mercado, da capacidade da indústria nacional de ocupar espaço e do comportamento do câmbio e da demanda interna.

Para consumidores, o efeito pode aparecer de forma gradual nos preços de eletrônicos e serviços que dependem de equipamentos importados.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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