Uma pesquisa recente realizada pelo Núcleo de Assessoria às Comunidades Atingidas por Barragens (NACAB), atualmente em fase avançada de avaliação para publicação na revista Remote Sensing Applications: Society and Environment, indicou que os efeitos ambientais do rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), em 2019, são mais amplos do que se imaginava.
O estudo demonstrou que os rejeitos atingiram uma área mínima de 2,4 mil hectares, considerando os impactos das enchentes registradas em 2020 e 2022, abrangendo municípios da região do médio Paraopeba, que inclui dez cidades e constitui a principal área de atuação da NACAB.
Impacto ambiental subsequente
A pesquisa apresenta o conceito de Dano Contínuo Subsequente, que descreve a intensificação dos impactos do desastre original em decorrência de eventos hidrológicos extremos.
O levantamento apontou que a enchente de 2022 elevou em 119,1% os impactos registrados pelos índices minerais, evidenciando que fenômenos climáticos intensos podem transportar resíduos remanescentes e ampliar os prejuízos ambientais.
Assim, o estudo demonstra que os efeitos do rompimento da barragem de Brumadinho não se restringem ao momento da tragédia, mas se estendem ao longo do tempo, gerando impactos contínuos sobre ecossistemas, cursos de água e a qualidade de vida das populações afetadas.
Rompimento de Brumadinho
O rompimento da barragem da Mina Córrego do Feijão em Brumadinho resultou no vazamento de mais de 12 milhões de metros cúbicos de rejeitos de minério de ferro na bacia do Rio Paraopeba, provocando a morte de 272 pessoas e afetando aproximadamente 24 mil moradores.
Em comunicado, a mineradora Vale afirmou que, após as enchentes de 2022, foram realizadas mais de 2.000 análises em cerca de 100 amostras coletadas na bacia, concluindo que os sedimentos analisados não apresentavam semelhança com os rejeitos da barragem, o que contraria interpretações sobre a continuidade do impacto ambiental.
Mesmo assim, o estudo conduzido pelo NACAB reforça que os efeitos de desastres de mineração podem ser intensificados por eventos naturais subsequentes, evidenciando a importância de políticas de prevenção, monitoramento científico e gestão ambiental que considerem tanto os impactos imediatos quanto os de longo prazo.





