Mammee Bay, em Saint Ann, Jamaica, conhecida por suas águas azul-turquesa e tradições de pesca centenárias, está agora separada de seus moradores por um muro de concreto.
O que antes era ponto de encontro comunitário e fonte de sustento familiar tornou-se propriedade exclusiva de um empreendimento residencial internacional, gerando revolta local e mobilizando ativistas em toda a ilha.
A venda de terrenos para grandes empresas interrompeu caminhos históricos usados por décadas. Moradores relatam que perderam o acesso ao mar e a rios populares de forma imediata e sem qualquer consulta.
A situação evidencia um conflito crescente entre desenvolvimento turístico e preservação do patrimônio cultural local.
Turismo recorde e exclusão social
Em 2024, a Jamaica registrou recorde de visitantes. Apesar de seu extenso litoral, mais de mil quilômetros, apenas uma pequena fração permanece acessível à população. Estimativas do JaBBEM apontam que apenas 0,6% da costa jamaicana é efetivamente pública.
O crescimento do turismo impulsiona a economia, mas deixa os moradores isolados, privados de práticas tradicionais de pesca e lazer.
Lei de 1956 favorece grandes empreendimentos
O isolamento legalizado da população é resultado de uma legislação colonial de 1956, que permite ao Estado vender trechos de litoral para resorts privados.
Diante do bloqueio, moradores criaram grupos de resistência e ingressaram com ações judiciais para garantir acesso às praias e rios históricos. Processos ainda em andamento buscam reverter o isolamento imposto pelos novos empreendimentos.
Ativistas locais defendem que o turismo responsável deve priorizar espaços públicos, fortalecer negócios comunitários e apoiar a preservação cultural.
Alternativas de turismo consciente
Apesar do cenário crítico, algumas praias ainda mantêm o espírito comunitário. Locais como Seven Mile Beach e Treasure Beach permitem que visitantes aproveitem o litoral sem prejudicar a população local.
A situação de Mammee Bay evidencia que o crescimento turístico precisa ser equilibrado com a preservação de direitos históricos e culturais. O debate sobre o acesso público ao litoral jamaicano segue em pauta, levantando questões sobre justiça social e preservação ambiental.





