A indústria brasileira viveu uma retomada robusta entre 2019 e 2023, criando 910,9 mil novas vagas de trabalho e elevando o total de pessoas ocupadas no setor para 8,5 milhões.
Os dados fazem parte da Pesquisa Industrial Anual (PIA), publicada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), e revelam o maior nível de emprego industrial desde 2015.
Mesmo com o avanço recente, o estudo mostra que o total de trabalhadores no setor ainda é 3,1% menor do que o registrado em 2014, refletindo o impacto acumulado de crises econômicas da última década.
No entanto, a trajetória de crescimento contínuo nos últimos quatro anos indica uma inflexão relevante na dinâmica industrial do país.
Setor alimentício lidera geração de empregos

Entre as 29 atividades econômicas investigadas, a fabricação de alimentos foi, de longe, a que mais contratou.
De 2019 a 2023, o segmento adicionou 373,8 mil postos de trabalho, alcançando 2 milhões de trabalhadores ativos — o equivalente a quase um quarto de toda a força de trabalho industrial brasileira.
O analista Marcelo Miranda, responsável técnico pela pesquisa, destaca que o setor se beneficia tanto da demanda interna aquecida quanto da projeção internacional dos produtos brasileiros, como a carne bovina, hoje entre os principais itens exportados pelo país.
Dois setores encolheram
Enquanto a maioria das atividades industriais expandiu sua força de trabalho, duas áreas destoaram negativamente: a fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis, com corte de 106,2 mil empregos, e o setor de impressão e reprodução de gravações, que perdeu 3 mil postos.
O levantamento aponta que, em média, cada empresa industrial emprega 23 trabalhadores, embora setores como a extração mineral e o refino de petróleo operem com estruturas maiores — com até 436 funcionários por unidade, no caso da produção de combustíveis.
Remuneração e poder de compra
A remuneração média mensal no setor industrial ficou em 3,1 salários mínimos em 2023 — o mesmo patamar de 2019 e 2022, mas abaixo dos 3,5 salários registrados em 2014.
O estudo alerta que os valores não consideram o efeito da inflação acumulada, já que são avaliados em função do salário mínimo vigente em cada ano.
Mesmo assim, a indústria extrativa segue liderando em valores médios de remuneração, em função da alta qualificação exigida e da complexidade operacional dessas atividades.
Receita bilionária e peso no PIB
No ano de 2023, a indústria nacional registrou uma receita líquida de R$ 6,45 trilhões, sendo que 67,9% desse valor foi gerado por companhias com 500 ou mais empregados.
O valor de transformação industrial — indicador que representa a real contribuição do setor ao Produto Interno Bruto (PIB) — foi estimado em R$ 2,4 trilhões.
Mais uma vez, o segmento de alimentos aparece no topo do ranking, com 16,8% de participação, seguido por extração de petróleo e gás natural (11,5%) e pela fabricação de produtos derivados de petróleo (11,2%). Em contrapartida, o ramo de veículos automotores, que já figurou entre os líderes, perdeu espaço, recuando de 7,5% para 5,7% de contribuição ao PIB industrial.
São Paulo concentra liderança, mas regiões ganham protagonismo
A Região Sudeste manteve seu predomínio na estrutura industrial do país, respondendo por 60,9% do valor de transformação industrial, com São Paulo como locomotiva econômica. O estado é responsável por um terço do PIB industrial brasileiro, superando largamente as demais unidades da federação.
Mesmo assim, há movimentações importantes: Minas Gerais e Rio de Janeiro seguem revezando o posto de segundo maior polo industrial, e 18 dos 27 estados brasileiros têm a fabricação de alimentos como setor mais relevante para suas economias.
Cenário atual e investimentos no horizonte
Nos últimos 12 meses até junho de 2025, a produção industrial brasileira cresceu 2,4%, com destaque para Pará (9%), Santa Catarina (7,4%) e Paraná (5,6%). Em contrapartida, estados como Rio Grande do Norte (-6,6%) e Espírito Santo (-5,2%) apresentaram retrações.
Com foco no desenvolvimento regional, o governo federal lançou um programa de R$ 10 bilhões em financiamentos voltado à Região Nordeste, contemplando empresas com projetos acima de R$ 10 milhões. O prazo para envio dos planos de negócio vai até 15 de setembro.
Com informações da Agência Brasil.






