Recém-nascidos internados em unidades de terapia intensiva (UTI) são submetidos diariamente a procedimentos indispensáveis ao tratamento, mas potencialmente dolorosos.
Como esses pacientes não conseguem se comunicar verbalmente, a identificação da dor depende essencialmente da observação clínica, o que pode gerar variações entre profissionais.
O controle inadequado pode acarretar impactos no desenvolvimento a longo prazo, tornando o manejo preciso da dor uma prioridade na neonatologia.
Nesse contexto, pesquisadores brasileiros desenvolveram uma inteligência artificial capaz de identificar diferentes níveis de dor em bebês hospitalizados.
Dor em recém-nascidos
Tecnologia e funcionamento
- Ferramenta de apoio à decisão clínica voltada à redução da subjetividade nas escalas tradicionais utilizadas em UTIs neonatais.
- Modelo multimodal que combina análise de imagens e dados clínicos contextuais para interpretar expressões faciais com maior precisão.
- Aplicação de técnicas de visão computacional para identificar microexpressões e sinais comportamentais associados à dor.
- Integração dessas informações a parâmetros clínicos, permitindo padronizar avaliações e oferecer suporte em tempo real às equipes médicas.
Instituições e pesquisadores
- Pesquisa financiada pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo.
- Desenvolvida por cientistas da Universidade Federal de São Paulo e do Centro Universitário FEI.
- Participação da pediatra neonatal Ruth Guinsburg, professora da Unifesp e coordenadora da UTI Neonatal do Hospital São Paulo, que destaca a importância de métodos mais objetivos na avaliação da dor em recém-nascidos.
Necessidade de validação
Apesar dos avanços apresentados, os autores ressaltam que a ferramenta ainda necessita de validação clínica ampla, com testes realizados em múltiplos cenários, diferentes condições ambientais e variados perfis de pacientes.
Também será fundamental avaliar seus efeitos concretos sobre os desfechos clínicos, além de enfrentar etapas regulatórias e debates éticos antes que possa ser incorporada de forma rotineira à prática assistencial.
Embora o potencial de impacto seja relevante, especialistas destacam que a adoção definitiva dessas soluções dependerá de evidências robustas, validação metodológica rigorosa e integração segura aos protocolos hospitalares.






