Quando Karl Bushby, ainda nos seus vinte e poucos anos, comentou entre amigos que seria possível dar a volta ao mundo a pé, ninguém imaginava que aquela conversa despretensiosa se tornaria a maior aventura da vida dele.
Hoje, quase três décadas depois, ele está prestes a percorrer 49.900 quilômetros, atravessar 25 países e retornar, finalmente, ao seu país natal. Agora na Hungria, a apenas 1.500 km de casa, o britânico de 56 anos caminha rumo a Hull, onde sua mãe o espera desde 1998.
No início, tudo parecia simples: mapas de papel, lápis, uma calculadora e a convicção de que seria possível completar o trajeto em 12 anos. A realidade, porém, transformou o plano em uma odisseia de 27 anos marcada por contratempos inesperados, mudanças de rota e desafios que nenhum planejamento poderia prever.
Regras rígidas para uma missão inegociável
Karl estabeleceu desde o começo princípios que jamais seriam quebrados: não usar nenhum transporte motorizado para avançar e não retornar para casa até completar todo o percurso a pé.
Se surgisse um rio, ele atravessaria nadando. Se uma fronteira exigisse desvio, ele contornaria. Se um país o barrasse, ele encontraria uma forma alternativa, sempre caminhando.
Ele enfrentou os ventos ferozes da Patagônia, subiu a Cordilheira dos Andes, cruzou selvas densa e desertos escaldantes, percorreu toda a extensão dos Estados Unidos, sobreviveu aos invernos rigorosos da Rússia e da Mongólia e passou por áreas remotas da Ásia.
Mesmo assim, afirma que seus pés continuam “surpreendentemente bons”.
Os bloqueios políticos e imprevistos globais
Problemas com vistos, tensões diplomáticas, falta de recursos e até a pandemia de Covid-19 atrasaram e complicaram a expedição. Em alguns momentos, ele ficou preso em países onde não falava o idioma e sem dinheiro suficiente para seguir. Ainda assim, nunca recuou.
Para Karl, cada obstáculo era apenas mais um trecho do caminho.
A reta final depois de 27 anos
Na Hungria, faltando apenas o trajeto que o levará de volta ao Reino Unido, Karl vive sentimentos conflitantes. Por um lado, a emoção de voltar para casa. Por outro, o medo do vazio.
Durante quase 30 anos, tudo que ele conheceu foi o ato de caminhar para frente. “Meu propósito sempre foi levantar e seguir. E isso vai parar abruptamente”, admite.
A solidão que revelou a bondade do mundo
Apesar da longa caminhada solitária, Karl diz que raramente se sentiu sozinho. Pelo caminho, encontrou bondade em quase todos os lugares. Pessoas que nunca o tinham visto antes lhe ofereceram comida, abrigo, ajuda e conversas calorosas.
Segundo ele, 99% dos encontros foram com “o melhor da humanidade”, e isso o transformou profundamente.
Karl acredita que viajar, ver o mundo de perto e interagir com outras culturas é uma das formas mais ricas de aprendizado que existem. Sua mensagem é simples e poderosa: busquem aventuras, experimentem o desconhecido e permitam-se descobrir que o mundo real é muito mais gentil e fascinante do que parece à distância.






