Num país marcado por desigualdades sociais e um sistema tributário que pesa desproporcionalmente sobre os mais pobres, a declaração de apoio à taxação das grandes fortunas feita por Walter Salles, herdeiro do Itaú Unibanco e cineasta premiado internacionalmente, gerou forte repercussão.
Com um patrimônio estimado em R$ 25 bilhões, o diretor de Central do Brasil e Diários de Motocicleta usou sua visibilidade para defender a necessidade de justiça fiscal no Brasil, durante seu discurso no Prêmio Faz Diferença, realizado no luxuoso Copacabana Palace.
A fala que rompe o silêncio das elites
Diante de uma plateia composta por personalidades influentes, Salles foi direto: o Brasil precisa corrigir as distorções de um sistema que penaliza os mais pobres. Em suas palavras: “Temos a chance de construir um país mais justo e igualitário, corrigindo as distorções de um sistema que, como a gente sabe, cobra mais de quem tem menos.”
Ao lado da atriz Fernanda Torres, também homenageada, o cineasta endossou o princípio da tributação progressiva e reforçou seu compromisso com a democracia fiscal.
A proposta de Lula
O apoio de Salles surge em meio à tentativa do governo Lula de avançar com uma reforma tributária que beneficie a base da pirâmide. O projeto, já enviado ao Congresso, prevê isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil por mês, algo que beneficiaria cerca de 15 milhões de brasileiros.
Para cobrir a renúncia fiscal estimada em R$ 25 bilhões, o governo propõe uma taxação mínima de 10% para quem tem renda anual acima de R$ 1 milhão, ou seja, os super-ricos.
Num momento de forte embate entre Executivo e Legislativo, especialmente em temas sensíveis como tributação e justiça social, declarações como a de Walter Salles ganham importância estratégica.
Quando a arte e a política se cruzam
Não é à toa que o cineasta tenha feito tal declaração em um prêmio que celebra contribuições culturais e sociais. A arte, afinal, tem o poder de sensibilizar, educar e provocar reflexão, inclusive sobre temas áridos como a desigualdade tributária.
Walter Salles, cuja obra sempre dialogou com questões sociais e humanas, apenas estendeu essa sensibilidade no setor público, oferecendo um exemplo de coerência entre discurso artístico e posicionamento político.
Que o exemplo de Walter Salles não seja exceção, mas o início de uma mudança de consciência entre aqueles que têm mais, e que podem contribuir mais. Afinal, justiça social começa onde termina o privilégio intocável. E ninguém, por mais bilionário que seja, deveria estar acima da responsabilidade coletiva.





