Um estudo divulgado em março de 2026 no Journal of Epidemiology & Community Health analisou a relação entre cozinhar em casa e a saúde cognitiva de pessoas idosas.
A pesquisa foi realizada por cientistas do Institute of Science Tokyo e utilizou como base dados do Japan Gerontological Evaluation Study (JAGES), uma das principais referências japonesas sobre envelhecimento.
O trabalho avaliou 10.978 indivíduos com 65 anos ou mais, acompanhados por um período médio de seis anos. As informações utilizadas foram coletadas entre 2016 e 2022.
Os casos de demência foram identificados por meio do sistema público de seguro de cuidados de longa duração do Japão, responsável pelo registro de condições que exigem assistência contínua.
Cozinhar para evitar a demência
Avaliação do hábito de cozinhar
- Frequência de preparo de refeições em casa variando de “nunca” a “mais de cinco vezes por semana”
- Análise de habilidades culinárias básicas, como descascar alimentos e preparar pratos simples
- Classificação dos participantes por nível de competência na cozinha
Resultados do estudo
- 1.195 participantes desenvolveram demência durante o período analisado
- Cozinhar ao menos uma vez por semana esteve associado a menor risco da doença
- Redução estimada do risco: 23% entre homens e 27% entre mulheres
- Entre pessoas com baixa habilidade culinária, a redução chegou a cerca de 67%
Interpretação dos pesquisadores
- Cozinhar envolve estímulos cognitivos como planejamento, memória e tomada de decisão
- A atividade também exige esforço físico leve no dia a dia
- Pode contribuir para uma alimentação mais equilibrada, com maior consumo de alimentos frescos
Limitação do hábito
Apesar dos resultados positivos, os autores destacam limitações do estudo. Por ser observacional, ele não permite estabelecer relação de causa e efeito.
Também há a possibilidade de causalidade reversa, já que o declínio cognitivo pode levar à redução do hábito de cozinhar.
Além disso, os dados foram autorrelatados e coletados em um único momento, o que limita a análise de mudanças ao longo do tempo.
Ainda assim, os pesquisadores apontam que incentivar o ato de cozinhar na terceira idade pode estar associado à manutenção da saúde cerebral, embora novas pesquisas sejam necessárias para confirmar essa relação.





