O horário de verão, presente por décadas no Brasil, suspenso desde 2019, vive hoje um dilema curioso: sua antiga razão de existir, economizar energia, parece ter se esvaído. O país mudou. O sol continua a brilhar, mas os hábitos das pessoas e a tecnologia transformaram completamente a maneira como consumimos eletricidade.
O aumento do uso de aparelhos de ar-condicionado deslocou o consumo de energia para o período mais quente da tarde. Os antigos picos, que coincidiam com o entardecer, agora aparecem no meio do dia, deixando o horário de verão quase sem efeito.
Paralelamente, a popularização das lâmpadas LED e de equipamentos mais eficientes tornou a iluminação tradicional, antes vilã do gasto energético, quase irrelevante.
Com isso, o Governo já decidiu: novos estudos e simulações serão conduzidos para a avaliação de um retorno. Ainda para 2025, a chance é remota.
Estudos e cenários do governo
O Ministério de Minas e Energia e o ONS acompanham essas mudanças de perto. As simulações mostram que uma retomada do horário de verão só faria sentido em situações extremas, como uma grave escassez de energia.
Até 2026, o sistema elétrico brasileiro está preparado, com ajustes em hidrelétricas, variedade de fontes e programas de eficiência que buscam atender à demanda de maneira mais inteligente.
Entre o costume e a modernidade
O que antes parecia um ritual quase cultural, adiantar os relógios para aproveitar a luz do fim do dia, agora é questionado. O país, que uma vez dependia dessa medida para economizar energia, precisa lidar com hábitos novos e tecnologias que mudaram completamente o jogo.
A tradição encontra a modernidade, e o resultado é uma prática que, talvez, pertença mais ao passado do que ao futuro.
O governo segue atento, mas as soluções para economia e eficiência energética parecem estar em estratégias mais sutis e tecnológicas, deixando para trás a medida que já foi indispensável.






