A Justiça da China sentenciou à morte 11 integrantes de uma mesma família, acusados de liderar uma organização criminosa responsável por um vasto esquema de escravidão digital.
A decisão, anunciada por veículos oficiais chineses e confirmada por agências internacionais, aponta para o envolvimento do clã em crimes como fraude online, tráfico humano, trabalho forçado virtual e operação de cassinos ilegais.
Além dos 11 condenados à pena capital, outros 28 membros da organização receberam sentenças severas, incluindo prisão perpétua.
11 pessoas da mesma família são condenadas à morte por escravidão digital
As investigações revelaram que, desde meados de 2015, a família Ming construiu um império criminoso com base na cidade de Laukkaing, localizada na região de fronteira entre a China e Mianmar.
A área foi convertida em um centro de atividades ilegais altamente lucrativas, com estrutura voltada para golpes digitais e exploração de trabalhadores em situação análoga à escravidão.
Estima-se que o grupo tenha movimentado o equivalente a mais de R$ 7 bilhões por meio dessas atividades de escravidão digital.
Os condenados operavam complexos que funcionavam como centros de fraude cibernética, onde milhares de pessoas eram mantidas sob coerção.
Relatos indicam que migrantes, atraídos por promessas de emprego, eram forçados a cumprir longas jornadas em ambientes vigiados, sem possibilidade de fuga. Os que tentavam escapar ou resistir às ordens eram submetidos a espancamentos, tortura e até execuções.
Um dos locais usados pela organização, conhecido como “Crouching Tiger Villa”, foi descrito pelas autoridades como cenário de extrema brutalidade.
Combater escravidão digital na região exigirá cooperação internacional
O desmantelamento do grupo só foi possível após mudanças no controle territorial da região. Com a retirada de forças armadas do Estado de Shan, insurgentes locais abriram caminho para ações coordenadas entre as autoridades chinesas e as forças locais.
Durante a ofensiva, Ming Xuechang, apontado como líder da organização que praticava escravidão digital e patriarca da família, teria tirado a própria vida para evitar a prisão. Outros membros foram capturados e extraditados para a China, onde enfrentaram julgamento.
Segundo especialistas, muitas dessas operações já estão se deslocando para outros países do Sudeste Asiático, como Camboja e Tailândia, após a sentença de Pequim.
Assim, o extermínio desse tipo de crime exige uma cooperação internacional mais efetiva, apesar da sentença da China representar uma resposta dura contra redes criminosas que atuam além de suas fronteiras.






