O Dia da Independência é tradicionalmente um momento de união nacional, marcado pelo desfile cívico-militar em Brasília. Normalmente, representantes dos Três Poderes dividem o palanque oficial como demonstração de respeito institucional.
Em 2024, por exemplo, cinco ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) marcaram presença. Neste ano, no entanto, nenhum deles compareceu, um gesto inédito que chamou a atenção da opinião pública e gerou repercussões políticas.
A decisão do Supremo
De acordo com apuração da Carta Capital, a ausência não foi obra do acaso. Os ministros do STF decidiram coletivamente não participar das celebrações como uma forma de demonstrar imparcialidade.
O motivo seria a delicadeza do momento político, a Corte está julgando o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e outros envolvidos na tentativa de golpe de 2022. Comparecer ao evento ao lado de Lula poderia ser interpretado como sinal de alinhamento, o que comprometeria a imagem de neutralidade dos magistrados.
Outras ausências notáveis
Além do Supremo, o Legislativo também esteve representado de forma limitada. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), não compareceu ao evento, reforçando o clima de distanciamento entre o governo e os outros Poderes.
Essas ausências reforçaram a leitura de que o governo Lula enfrenta um momento de sensibilidade política e de necessidade de articulação mais cuidadosa.
A força do Executivo
Apesar do vazio deixado pelo Judiciário e por parte do Legislativo, o Executivo buscou marcar presença em peso. Ministros de Estado e aliados de Lula lotaram o palanque, numa clara tentativa de reforçar a coesão do governo.
Entre os nomes de destaque estiveram Geraldo Alckmin, Simone Tebet, Marina Silva, Ricardo Lewandowski, Gleisi Hoffmann e Rui Costa. A primeira-dama, Janja da Silva, também esteve presente, reforçando a dimensão política e simbólica do evento.
As leituras políticas
O gesto dos ministros do STF foi interpretado de diferentes maneiras. Para analistas, trata-se de uma mensagem institucional de neutralidade. Para críticos, uma demonstração de isolamento político do governo.
Já para apoiadores, a ausência não compromete o simbolismo do desfile, uma vez que a festa nacional se manteve marcada pela forte presença do Executivo. Ainda assim, o episódio escancara a tensão que persiste entre os Poderes e aponta para a necessidade de Lula ampliar sua base de diálogo.
Um 7 de Setembro marcado pelo silêncio
O 7 de Setembro de 2025 não ficará lembrado apenas pelas bandeiras verde e amarelas ou pelo desfile militar. O que mais repercutiu foi o silêncio dos ministros do STF, que, ao se ausentarem, enviaram um recado político sem dizer uma única palavra.
Em tempos de disputas eleitorais cada vez mais acirradas, até mesmo a ausência se transforma em gesto político. Para o governo Lula, o episódio funciona como um alerta em governar exige mais do que discursos e presenças, exige construir pontes sólidas com todos os Poderes da República.





