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Governo anuncia plano para garantir piso mínimo a entregadores e motoristas de apps

Por Leticia Florenço
08/12/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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motoristas de apps

Entregador - Reprodução/iStock

O governo federal deu início a uma nova fase no debate sobre o trabalho por aplicativos ao anunciar a criação de um grupo de trabalho dedicado aos entregadores e, em seguida, outro focado nos motoristas.

A iniciativa, conduzida pelo ministro Guilherme Boulos, pretende formular propostas capazes de atualizar o projeto de lei que já tramita na Câmara e, finalmente, oferecer condições mais justas a quem depende dessas plataformas para sobreviver.

A meta é transformar anos de discussões paradas em medidas concretas, amparadas pelo diálogo direto com trabalhadores e suas representações.

Como será a construção das novas regras

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Os grupos terão até 60 dias para ouvir as categorias e consolidar um texto final apresentado ao presidente Lula e aos parlamentares. A ideia é criar um único projeto de lei que contemple os dois segmentos, já que entregadores e motoristas somam cerca de três milhões de profissionais no Brasil.

A participação ativa dos trabalhadores será fundamental para ajustar o projeto às realidades do dia a dia, incluindo desafios de renda, desgaste físico, insegurança e longas jornadas.

Pontos defendidos pelo governo

  • Remuneração mínima: A principal bandeira da categoria: criar um piso mínimo que impeça que trabalhadores rodem longas jornadas para receber valores considerados irrisórios pelas plataformas.
  • Proteção previdenciária ou seguro: Atualmente, quem sofre um acidente ou fica impossibilitado de trabalhar não tem amparo institucional. O governo quer definir um modelo de seguro ou contribuição que garanta cobertura em casos de doença, acidente ou invalidez.
  • Transparência no algoritmo: Os trabalhadores querem entender como as plataformas distribuem corridas, calculam valores, aplicam bloqueios e avaliam desempenho. O governo pretende incluir regras de transparência para evitar abusos.

Além dos pontos fundamentais, outras propostas serão debatidas, como:

  • Criação de pontos de apoio com água, banheiro e áreas de descanso;
  • Estrutura mínima para espera entre entregas;
  • Regras mais claras sobre descredenciamento e metas.

A resistência das empresas e o conflito inevitável

Embora algumas plataformas tenham se mostrado dispostas a discutir previdência e transparência, a proposta de piso mínimo enfrenta forte oposição.

As empresas alegam que isso comprometeria o modelo de negócios, enquanto o governo e os trabalhadores afirmam que é impossível sobreviver com os valores atuais.

Boulos reforçou que as plataformas lucram sem assumir custos diretos, não compram veículos, não abastecem, não pagam manutenção, mas obtêm uma fatia significativa de cada entrega ou corrida.

O objetivo, segundo o ministro, é reequilibrar essa relação e garantir humanidade nas condições de trabalho.

As urgências apresentadas pela categoria

Para entregadores como Nicolas Souza Santos, de Juiz de Fora, a criação do grupo representa a chance de destravar uma promessa que já dura quatro anos. A categoria denuncia que o debate não avança e que os valores pagos hoje não cobrem nem o básico.

O exemplo mais citado é o pagamento de R$ 3,30 por entrega pelo iFood, valor considerado inviável perante os altos custos da atividade. A reivindicação é de, no mínimo, R$ 10 por entrega, além de condições dignas para sustentar uma família, contribuir para a previdência e ter acesso a direitos constitucionais.

A expectativa é que, com consenso, o Brasil se torne referência internacional ao equilibrar tecnologia e dignidade humana.

Caso a proposta avance, a regulamentação poderá inaugurar um novo patamar de segurança econômica e social para milhões de pessoas que dependem dos aplicativos como principal fonte de renda.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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