Nos últimos anos, os relacionamentos têm apresentado uma crescente diversidade, acompanhando mudanças sociais, culturais e comportamentais, sobretudo entre os jovens da Geração Z. Esse grupo passou a criar termos próprios para identificar diferentes formas de se relacionar, evidenciando uma nova percepção sobre afeto, atração e compatibilidade.
Entre essas tendências, destaca-se o chamado “shreking”, que descreve a atração de algumas mulheres por homens que não seguem os padrões convencionais de beleza ou os estereótipos de galãs tradicionalmente valorizados pela sociedade e pela mídia.
Novo relacionamento Shreking
O termo tem origem na animação Shrek, da DreamWorks, na qual o protagonista, um ogro, desenvolve um relacionamento genuíno e afetivo com a Princesa Fiona. A referência ressalta qualidades como sinceridade, humor, presença e maturidade emocional, contrapondo-se à ênfase exclusiva na aparência física.
Além disso, o nome incorpora um aspecto nostálgico, já que muitos jovens da Geração Z assistiram ao filme durante a infância ou adolescência, fortalecendo a conexão simbólica e afetiva com a experiência cinematográfica.
Análises profundas
Pesquisadores apontam que o fenômeno está ligado a fatores biológicos, psicológicos e históricos. Segundo a psiquiatra Maria Isabel Nestarez, a beleza passou a funcionar como um marcador social e biológico, influenciando a autoestima, o desejo e as relações afetivas.
A historiadora Mary Del Priore acrescenta que os padrões de beleza vêm sendo moldados desde o século XIX, mas atualmente há uma valorização decrescente dos “galãs narcisistas”, dando lugar a qualidades mais profundas, como humor, empatia, presença e maturidade emocional.
O fenômeno do “shreking” reflete essa mudança nos critérios de atração entre os jovens, em que a personalidade, o comportamento e a conexão emocional ganham maior relevância. Ele também evidencia a influência da memória afetiva, da cultura pop e do contexto social contemporâneo, mostrando que os relacionamentos atuais se tornaram mais complexos e menos centrados em padrões estéticos tradicionais.






