Um artigo de opinião veiculado na edição britânica da revista Vogue, intitulado em português “Ter um namorado é vergonhoso agora?”, deu origem a uma das tendências mais debatidas entre jovens da geração Z nas últimas semanas.
A publicação sustenta que, para mulheres jovens, a visibilidade de relacionamentos heterossexuais deixou de representar status e passou a ser associada, com maior frequência, à sensação de fragilidade ou à perda de autonomia. Essa leitura estimulou a produção de diversos conteúdos nas redes sociais, que extrapolaram a proposta inicial do texto e ampliaram o alcance da discussão.
Ter namorado é brega (?)
Após a divulgação do artigo, o debate foi rapidamente incorporado por criadoras de conteúdo, que passaram a explorar o tema por meio de vídeos satíricos, memes e depoimentos pessoais, sobretudo no TikTok. A noção de que “namorar é cafona” ganhou ampla circulação e elevado engajamento, ainda que parte dessa repercussão tenha se apoiado em interpretações rasas do título, sem considerar a complexidade da reflexão proposta no texto original.
Entre as influenciadoras que se manifestaram, prevaleceu a visão de que o desconforto não reside no relacionamento em si, mas no risco de ele se tornar o eixo central da identidade feminina, comprometendo a autonomia e a individualidade. A resposta do público revelou-se polarizada, alternando entre a valorização da solteirice como expressão de liberdade e a defesa da manutenção de vínculos afetivos como escolha legítima.
Comportamentos da Geração Z
Especialistas em comportamento digital ouvidos pelo Estadão analisam o fenômeno como reflexo de um esgotamento diante da exposição constante de relacionamentos idealizados nas redes sociais. Segundo essa perspectiva, a tendência funcionaria como uma reação coletiva à pressão de performar felicidade romântica e intimidade perfeita, além de evidenciar uma crítica à forma como os vínculos afetivos são encenados no ambiente digital.
A geração Z lidera esse movimento por ter sido formada em um contexto de hiperexposição e relações performáticas, interpretando a tendência como reação aos modelos romantizados de gerações anteriores. Embora marcada pelo tom satírico, a discussão evidencia uma reavaliação do papel do romance e da autonomia, influenciada por inseguranças, violência de gênero e frustrações com expectativas idealizadas.






