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Gene que causa câncer foi desativado por especialistas

Por Leticia Florenço
08/02/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Dia Mundial do Câncer - Reprodução/iStock

Dia Mundial do Câncer - Reprodução/iStock

Pesquisadores da Universidade Monash, na Austrália, em parceria com a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, anunciaram uma descoberta que pode mudar profundamente o tratamento do câncer.

A equipe identificou um mecanismo capaz de desativar de forma permanente genes responsáveis pelo desenvolvimento da doença, abrindo caminho para terapias mais eficazes e menos agressivas ao organismo.

Descoberta publicada em revista científica de referência

O estudo foi publicado na Nature Cell Biology, uma das revistas científicas mais prestigiadas do mundo. A publicação reforça a relevância do achado e indica que os resultados passaram por criteriosa validação científica, sendo considerados um avanço concreto no campo da oncologia moderna.

A pesquisa se baseia na chamada terapia epigenética, uma abordagem que atua sobre o comportamento dos genes sem modificar o DNA.

Em vez de alterar o código genético, essa técnica interfere nos mecanismos que controlam quais genes ficam ativos ou inativos, funcionando como um verdadeiro interruptor biológico dentro das células.

Leucemias agressivas no centro do estudo

O avanço é especialmente promissor para o tratamento de tipos agressivos de leucemia aguda. Nesses casos, erros genéticos fazem com que genes promotores do câncer permaneçam constantemente ativos, impedindo o controle natural da multiplicação celular e favorecendo a progressão rápida da doença.

Os cientistas descobriram que o direcionamento das proteínas epigenéticas Menina e DOT1L é fundamental para interromper esse processo.

Ao atuar sobre essas proteínas, os pesquisadores conseguiram desligar de forma duradoura os genes causadores do câncer em células leucêmicas, mesmo após o fim do tratamento medicamentoso.

A importância da memória epigenética

Um dos pontos centrais da descoberta envolve a chamada memória epigenética mantida pela proteína DOT1L. Essa memória faz com que as células cancerígenas “lembrem” como se comportar de forma agressiva.

Os medicamentos que atingem a proteína Menina conseguem apagar essa memória, impedindo que os genes malignos sejam reativados.

Tratamentos mais curtos e menos desgastantes

Segundo os pesquisadores, a nova abordagem pode permitir tratamentos mais curtos, com menor incidência de efeitos colaterais. Isso representa um avanço significativo para pacientes oncológicos, que frequentemente enfrentam terapias longas, intensas e debilitantes.

Com a redução do tempo de tratamento, os pacientes podem tolerar doses mais altas dos medicamentos ou até se tornar elegíveis para terapias complementares. A expectativa é melhorar os resultados clínicos sem comprometer ainda mais a qualidade de vida.

Próximos passos e testes em humanos

A descoberta deverá ser testada ainda este ano em ensaios clínicos realizados pela Universidade Monash em parceria com o Hospital Alfred, também na Austrália. Caso os resultados se confirmem em humanos, o método poderá representar uma nova era no tratamento de determinados tipos de câncer.

O avanço reforça a esperança de tratamentos mais eficazes e humanos no futuro da oncologia.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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