Entre 2015 e 2025, as geleiras suíças perderam 24% de seu volume total de gelo, segundo a rede de monitoramento Glamos. Esta redução é a quarta maior já registrada desde o início das medições, superada apenas pelos anos de 2003, 2022 e 2023.
O ritmo de degelo está aumentando, mostrando impactos cada vez mais visíveis na paisagem alpina.
O último inverno foi fraco em termos de neve, diminuindo o reabastecimento natural das geleiras. Ondas de calor registradas em junho e agosto de 2025 aceleraram ainda mais o derretimento. A Suíça é particularmente afetada pelo aquecimento global, que ocorre em ritmo duas vezes mais rápido que a média mundial.
A geleira do Ródano, uma das mais conhecidas do país, perdeu mais de 100 metros de espessura nos últimos 20 anos. O Glaciar de Gries, no cantão de Valais, recuou aproximadamente 800 metros entre 2000 e 2023 e perdeu seis metros de espessura apenas no verão de 2025.
Matthias Huss, diretor da Glamos, descreve o Glaciar de Gries como um “glaciar em processo de morte”.
Impactos na água e na energia
As geleiras suíças são fundamentais para o abastecimento de água potável e para a geração de energia hidráulica. A redução contínua de gelo coloca em risco a segurança hídrica da Europa, especialmente durante os meses mais quentes.
Alterações na disponibilidade de água também podem afetar agricultura, turismo e a biodiversidade local.
Panorama histórico do derretimento
Desde 1970, mais de 1.100 geleiras suíças desapareceram completamente. A perda de volume por décadas mostra um aumento progressivo: entre 1990 e 2000, 10%; 2000–2010, 14%; 2010–2020, 17%; 2015–2025, 24%.
Mesmo com emissões constantes de CO₂, mais da metade do gelo restante nos Alpes suíços poderá desaparecer até o final do século.
Geleiras como termômetros do clima
Os glaciares alpinos funcionam como “termômetros” do clima global, refletindo mudanças ambientais de forma rápida e visível. Imagens de satélite da União Europeia mostram claramente a redução da área coberta por gelo entre 2016 e 2025, evidenciando a gravidade do derretimento.
Temperaturas recordes e ondas de calor intensificam o processo, acelerando o desaparecimento dessas formações milenares.
O futuro das geleiras na Europa
Cientistas franceses alertam que, até 2100, quase todas as geleiras dos Alpes poderão desaparecer, caso não haja redução significativa das emissões de gases de efeito estufa.
A continuidade do derretimento pode transformar paisagens históricas, afetar ecossistemas frágeis e reduzir drasticamente os recursos hídricos para milhões de pessoas.






