O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, surpreendeu o mercado global ao conceder perdão total a Changpeng Zhao, o “CZ”, fundador da Binance e uma das figuras mais influentes do universo cripto.
A decisão, anunciada oficialmente pela Casa Branca, encerra um dos capítulos mais controversos da relação entre Washington e o setor das criptomoedas. O token BNB disparou e o nome de Zhao voltou aos holofotes como símbolo de uma nova aproximação entre o governo americano e as empresas de ativos digitais.
Changpeng Zhao construiu a Binance em 2017, transformando a startup em poucos anos na maior corretora de criptomoedas do planeta. Sua trajetória, marcada por ousadia e inovação, foi abalada em 2023, quando admitiu falhas no combate à lavagem de dinheiro.
Condenado a quatro meses de prisão e multado em US$ 4,3 bilhões, CZ parecia ver seu império ameaçado. O perdão presidencial agora reescreve esse capítulo, apagando oficialmente sua condenação e abrindo caminho para um retorno triunfante ao centro do poder financeiro.
Trump e o discurso da “justiça e inovação”
Ao justificar o perdão, Trump declarou que Zhao foi “injustamente perseguido” por autoridades da administração anterior, afirmando que o empresário “não era culpado de nada”. O presidente ainda ressaltou que “muitas pessoas muito boas” o procuraram para interceder a favor do magnata das criptomoedas.
Com isso, Trump reafirma sua postura de apoio à desregulamentação e à expansão do mercado digital, uma mensagem direta ao eleitorado jovem e aos investidores que veem nas criptomoedas um símbolo de liberdade econômica.
Repercussão imediata e reação do mercado cripto
A resposta foi instantânea. O token BNB, vinculado à Binance, subiu fortemente após o anúncio do perdão. Analistas financeiros destacam que o gesto de Trump devolve confiança ao ecossistema cripto e pode atrair bilhões em novos investimentos.
Zhao, por sua vez, agradeceu publicamente o presidente em sua conta na rede X, prometendo “fazer dos Estados Unidos a capital mundial das criptomoedas”, uma promessa que ecoa o discurso pró-inovação que vem dominando a política econômica americana.
A decisão sobre CZ não é a única. O governo Trump já havia concedido clemência a Ross Ulbricht, criador da Silk Road, e aos fundadores da corretora BitMEX, ambos ligados a casos envolvendo moedas digitais.
Essas medidas são vistas como parte de uma estratégia de fortalecimento das relações com o setor, reduzindo investigações e sanções federais que, nos últimos anos, limitaram a expansão das empresas de criptoativos em território americano.
Ligações empresariais e suspeitas de conflito de interesse
De acordo com a Bloomberg, os laços entre o clã Trump e Zhao se estreitaram por meio da empresa World Liberty Financial Inc., ligada à família do presidente. A Binance teria desenvolvido o código de um stablecoin chamado USD1, usado em uma transação bilionária envolvendo investidores dos Emirados Árabes Unidos.
Embora a Casa Branca afirme que o perdão passou por uma “revisão completa” dos assessores jurídicos, críticos apontam para possíveis conflitos de interesse e uma preocupante fusão entre política, negócios e criptomoedas.
As antigas acusações e o peso político da decisão
O Departamento de Justiça havia acusado Zhao e a Binance de permitir operações com grupos e usuários sob sanções americanas, incluindo contas iranianas e entidades ligadas ao Hamas.
Mesmo assim, CZ manteve o controle da empresa e viu sua fortuna crescer após a vitória eleitoral de Trump, hoje estimada em US$ 54,5 bilhões, segundo o Bloomberg Billionaires Index.
O perdão, portanto, representa uma reconfiguração do poder entre Estado, mercado e tecnologia financeira.






