A prisão de ventre é um problema mais comum do que se imagina e vai muito além de um simples desconforto ocasional.
Milhões de adultos convivem com evacuações irregulares, fezes endurecidas e sensação constante de estufamento, muitas vezes sem saber que a solução pode estar em alimentos específicos e acessíveis.
Recentemente, diretrizes clínicas internacionais trouxeram uma mudança importante nesse cenário ao destacar uma fruta simples, frequentemente ignorada nas feiras: o kiwi.
Da recomendação genérica às orientações baseadas em ciência
Durante décadas, o conselho mais difundido para quem sofre de constipação foi aumentar o consumo de fibras, sem maiores detalhes. O problema é que essa orientação ampla não considera que diferentes tipos de fibras agem de formas distintas no intestino.
Para corrigir essa lacuna, nutricionistas da British Dietetic Association analisaram 75 ensaios clínicos randomizados e reuniram evidências de quatro grandes revisões sistemáticas, transformando dados científicos em recomendações práticas e específicas.
Entre os alimentos avaliados, o kiwi apresentou resultados consistentes e surpreendentes. O consumo regular, geralmente de duas unidades por dia por um período mínimo de quatro semanas, esteve associado ao aumento da frequência das evacuações, melhora da consistência das fezes e redução do esforço ao evacuar.
Em alguns estudos, os efeitos foram comparáveis aos de suplementos de fibra amplamente utilizados, o que coloca a fruta como uma alternativa natural e bem tolerada.
Psyllium se consolida como a fibra mais eficaz
No grupo dos suplementos, o psyllium foi apontado como o mais confiável. Extraído da casca da semente da planta Plantago ovata, ele demonstrou benefícios claros na regularização do trânsito intestinal, tornando as fezes mais macias e facilitando a evacuação.
Os especialistas ressaltam que os efeitos positivos dependem do uso contínuo e de doses semelhantes às testadas nos estudos clínicos, além de ingestão adequada de líquidos.
Pão de centeio e o estímulo ao funcionamento do intestino
Outro alimento que ganhou espaço nas diretrizes foi o pão de centeio. Rico em fibras fermentáveis, ele ajuda a aumentar o volume das fezes e estimula os movimentos intestinais.
No entanto, os próprios autores destacam que as quantidades utilizadas nos estudos foram elevadas, o que pode dificultar a adoção dessa estratégia na rotina alimentar da maioria das pessoas.
Águas minerais ricas em magnésio entram nas recomendações
Além dos alimentos sólidos, as diretrizes também chamam atenção para o papel das bebidas. Águas minerais com alto teor de magnésio e sulfato mostraram efeito osmótico, ajudando a atrair água para o interior do intestino e facilitando a evacuação.
Esse efeito, porém, depende da composição da água, o que explica por que nem todas produzem o mesmo resultado.
Frutas tradicionais perdem importância
Apesar da fama, frutas como ameixa e maçã aparecem nas recomendações com cautela. Embora sejam nutritivas e importantes para uma alimentação equilibrada, os pesquisadores afirmam que não há evidências científicas de que o consumo isolado dessas frutas seja suficiente para tratar a constipação crônica de forma eficaz.
A elaboração das diretrizes seguiu critérios rigorosos, com avaliação pelo método GRADE e validação por consenso entre especialistas de diferentes áreas. Ainda assim, muitas recomendações receberam classificação de baixo ou muito baixo nível de evidência, refletindo a falta de estudos grandes e homogêneos.
Por esse motivo, os autores optaram por indicar alimentos, suplementos e bebidas específicos, em vez de padrões alimentares completos.






