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Fraude em azeites leva Anvisa a banir várias marcas do consumo

Por Leticia Florenço
28/10/2025
Em Colunas, Mais Tendências
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anvisa azeite

Azeite de Oliva - Reprodução/iStock

A fiscalização sobre o mercado de azeites no Brasil tornou-se ainda mais rigorosa em 2025.

Após uma série de operações conjuntas entre a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), 22 marcas foram suspensas ou retiradas das prateleiras por apresentarem irregularidades, adulterações e riscos à saúde pública.

O objetivo das ações é combater práticas fraudulentas que comprometem a qualidade e a confiança do consumidor no produto.

O aumento das fiscalizações

O azeite de oliva é um dos produtos mais falsificados do setor alimentício, devido ao seu alto valor comercial e ao consumo crescente no Brasil. As autoridades têm identificado misturas de óleos vegetais vendidos como azeite puro, rótulos falsificados, empresas sem registro válido e importações irregulares.

O caso mais recente envolve o azeite Ouro Negro, proibido em outubro de 2025. O produto foi vetado após o Mapa constatar que a empresa responsável pela importação, Intralogística Distribuidora Concept Ltda, tinha o CNPJ suspenso e não conseguiu comprovar a origem do azeite, o que levou a Anvisa a determinar a apreensão dos lotes.

Ação conjunta da Anvisa e do Mapa

Desde o início de 2024, o governo federal vem reforçando a fiscalização no setor de alimentos e bebidas. Somente em 2025, mais de 70 proibições já foram emitidas envolvendo marcas de azeite.

As operações conjuntas entre Anvisa e Mapa verificam pureza, composição química, acidez e rotulagem, além das condições de armazenamento e distribuição.

Em diversos casos, os resultados laboratoriais revelaram fraudes graves, azeites misturados com óleos refinados, alterações de rótulos e ausência total de licenciamento sanitário.

Motivos mais comuns das proibições

As proibições aplicadas pela Anvisa e pelo Mapa envolvem diferentes tipos de irregularidades. Entre os motivos mais recorrentes estão:

  • Importação e distribuição por empresas com CNPJ inativo;
  • Adulteração ou falsificação do produto;
  • Mistura de óleos vegetais em azeites supostamente puros;
  • Irregularidades sanitárias nas instalações;
  • Erros de rotulagem e informações falsas;
  • Ausência de licenciamento sanitário obrigatório;
  • Origem e composição incertas do produto.

Essas práticas configuram crime contra as relações de consumo e violam as normas de segurança alimentar.

Marcas de azeite proibidas em 2025

As operações resultaram na proibição ou suspensão de lotes das seguintes marcas:

Fevereiro: Azapa, Doma
Maio: Alonso, Quintas D’Oliveira, Almazara, Escarpas das Oliveiras, La Ventosa, Grego Santorini
Junho: San Martín, Castelo de Viana, Terrasa, Casa do Azeite, Terra de Olivos, Alcobaça, Villa Glória, Santa Lucía, Campo Ourique, Málaga, Serrano
Julho: Vale dos Vinhedos
Setembro: Los Nobles
Outubro: Ouro Negro

Todas estão com venda e distribuição proibidas até nova análise dos órgãos responsáveis. A lista oficial pode ser consultada nos portais da Anvisa e do Ministério da Agricultura.

Como é feita a detecção das fraudes

As análises conduzidas pelos laboratórios oficiais seguem padrões internacionais. Técnicos avaliam acidez, índice de peróxidos, composição de ácidos graxos e características sensoriais do azeite.

Quando há adulteração, o produto perde os compostos antioxidantes e o sabor característico, tornando-se semelhante a óleos refinados.

Além de enganar o consumidor, a fraude elimina os benefícios nutricionais do azeite de oliva verdadeiro, conhecido por ajudar na prevenção de doenças cardiovasculares e no controle do colesterol.

Recomendações ao consumidor

As autoridades orientam os consumidores a adotarem cuidados simples para evitar o consumo de produtos irregulares:

  • Conferir se o rótulo traz o selo da Anvisa e do Mapa;
  • Verificar a origem e data de envase;
  • Desconfiar de preços muito abaixo do mercado;
  • Optar por marcas com histórico de qualidade e procedência conhecida;
  • Consultar periodicamente as listas de produtos proibidos disponíveis nos sites oficiais.

Essas medidas ajudam a reduzir os riscos de adquirir azeites falsificados ou adulterados.

Especialistas defendem que o episódio deve servir de lição para o fortalecimento da rastreabilidade e para a adoção de padrões mais rígidos de controle de qualidade nas fronteiras e pontos de venda.

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Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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