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Fóssil de espécie extinta é esquecida em museu desde 1988

Por Julia Martins
06/05/2025
Em Colunas, Geral, Mais Tendências
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Foto: Paleontological Research/Reprodução

Foto: Paleontological Research/Reprodução

Um fóssil de borboleta extinta permaneceu esquecido por mais de três décadas em um museu no Japão. Descoberto em 1988, na província de Hyogo, o inseto foi enviado ao Museu de Fósseis de Insetos Únicos, onde ficou guardado sem análise aprofundada até ser redescoberto por pesquisadores recentemente.

Agora, um estudo publicado na revista Paleontological Research revela que o achado pertence a uma espécie inédita, que viveu entre 2,6 milhões e 1,8 milhão de anos atrás, durante o período Pleistoceno Inferior. Trata-se do fóssil de borboleta mais antigo já registrado.

Espécie inédita e rara

A borboleta, que recebeu o nome científico Tacola kamitanii, foi identificada por Kiyoshi Kamitani e foi batizada em sua homenagem. Segundo os autores do estudo, o exemplar é o primeiro fóssil reconhecido dentro da subfamília Limenitidini, grupo de borboletas que hoje inclui espécies vivas em várias regiões do mundo.

O fóssil impressiona pelo porte: a envergadura das asas chega a 8,9 centímetros, tamanho considerado grande para esse tipo de inseto.

Por que fósseis de borboletas são raros?

Segundo os cientistas, encontrar fósseis bem preservados de borboletas é extremamente incomum. Isso porque seus corpos são leves, delicados e flutuantes, o que dificulta a fossilização. Em geral, insetos com estruturas mais rígidas ou corpos mais densos têm maior chance de serem preservados ao longo dos milênios.

No caso da Tacola kamitanii, os pesquisadores acreditam que ela era uma fêmea, já que o fóssil apresenta abdômen espesso e estrutura corporal robusta.

A antiga borboleta teria vivido em um ambiente de temperaturas mais quentes, antes do resfriamento que atingiu o arquipélago japonês durante a transição do Plioceno Superior para o Pleistoceno Inferior. Esse período foi marcado por mudanças climáticas globais que afetaram diretamente a fauna e a flora da região.

A descoberta do fóssil traz novas pistas sobre a diversidade e a distribuição de insetos pré-históricos, além de destacar a importância de reavaliar materiais guardados em coleções científicas, muitos dos quais ainda podem revelar grandes surpresas.

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