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Fortuna dos super‑ricos bastaria para acabar com a pobreza 22 vezes

Por Raianne Romão
27/06/2025
Em Mais Tendências
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Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

Foto: José Cruz/Agência Brasil/Arquivo

Um novo relatório da Oxfam Internacional revela um dado alarmante: a riqueza acumulada pelo 1% mais rico do planeta seria suficiente para erradicar a pobreza mundial 22 vezes. Enquanto isso, 3,7 bilhões de pessoas seguem vivendo com menos de R$ 45 por dia.

Entre 2015 e 2025, os ultrarricos concentraram cerca de US$ 33,9 trilhões — o equivalente a R$ 185 trilhões, segundo o estudo intitulado “Do Lucro Privado ao Poder Público: Financiando o Desenvolvimento, Não a Oligarquia”, divulgado às vésperas da 4ª Conferência Internacional sobre Financiamento para o Desenvolvimento, em Sevilha, na Espanha.

Concentração de riqueza sufoca combate à pobreza, alerta Oxfam

A análise mostra que a riqueza de apenas 3 mil bilionários cresceu US$ 6,5 trilhões nos últimos anos, passando a representar 14,6% do PIB global.

No mesmo período, a riqueza privada global subiu para impressionantes US$ 342 trilhões, enquanto os governos só conseguiram ampliar suas reservas públicas para US$ 44 trilhões — uma disparidade que, segundo a Oxfam, está minando o desenvolvimento equitativo.

“A concentração extrema de riqueza está sufocando os esforços globais para erradicar a pobreza”, afirma Amitabh Behar, diretor-executivo da Oxfam Internacional. Para ele, os interesses da elite financeira têm sido priorizados em detrimento das necessidades da maioria da população mundial.

Cortes na ajuda internacional podem custar milhões de vidas

Outro alerta do relatório diz respeito ao comportamento dos países mais ricos. Os membros do G7, responsáveis por cerca de 75% da ajuda internacional, planejam cortar 28% do financiamento humanitário até 2026, em comparação a 2024.

Esses cortes podem resultar na morte de até 2,9 milhões de pessoas até 2030, apenas por causas relacionadas ao HIV/AIDS.

Além disso, 60% dos países mais pobres enfrentam o risco de colapso fiscal. Muitos estão pagando mais aos credores privados — que se recusam a renegociar dívidas — do que investindo em educação e saúde pública.

Apoio global à taxação dos super-ricos cresce

Apesar do cenário desolador, o relatório mostra que a opinião pública está mobilizada. Uma pesquisa internacional, realizada em 13 países, incluindo Brasil, França, Índia, Canadá, África do Sul e Estados Unidos, revelou que 9 em cada 10 pessoas são favoráveis à taxação de grandes fortunas como forma de financiar serviços públicos e enfrentar a crise climática.

A Oxfam propõe uma mudança estrutural no modelo de financiamento global, até então dominado pelo chamado “consenso de Wall Street”. Segundo a organização, esse modelo aumentou a desigualdade e prejudicou os países mais vulneráveis, sem trazer retorno financeiro consistente.

Taxar os super-ricos e investir em políticas públicas, diz ONG

Entre as medidas propostas pela Oxfam, estão:

  • Formação de alianças internacionais para combater a desigualdade;
  • Redução da dependência do setor privado;
  • Cobrança efetiva de impostos sobre grandes fortunas;
  • Reforma do sistema global de dívidas;
  • Adoção de novas métricas além do PIB, que valorizem bem-estar e justiça social.

“Trilhões de dólares estão concentrados nas mãos de poucos. Os governos precisam agir com coragem: taxar os ricos e investir em saúde, educação e energia limpa”, conclui Behar.

As propostas serão oficialmente apresentadas em 30 de junho, durante a Conferência de Sevilha, com a presença de delegações de mais de 190 países.

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Tags: desigualdade econômicafortuna globalOxfam Internacionalpobreza estruturaltaxação dos super-ricos
Raianne Romão

Raianne Romão

Raianne Romão é comunicóloga com habilitação em Jornalismo e graduanda de Letras/Inglês. Atualmente é redatora no Tribuna de Minas. Já atuou como redatora nos segmentos de coluna social, entretenimento e benefícios socias. Já atuou também nas áreas de Marketing Digital e Assessoria de Imprensa. Além disso, atuou como produtora de conteúdo audiovisual, redatora e social media no Jornal do Commercio.

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