A Ford afirma estar confortável com o papel que o Brasil assumiu em sua estratégia global: o de concentrar atividades de engenharia e desenvolvimento tecnológico, sem operar fábricas locais.
A empresa não fecha a porta para um eventual retorno à produção, mas trata essa possibilidade como algo condicionado a movimentos futuros da companhia e não a questões econômicas brasileiras.
A avaliação, segundo o comando regional, é de que a decisão de deixar de fabricar no país, tomada há quatro anos, foi motivada por um redesenho da operação mundial.
Ford transforma Brasil em polo de engenharia e adia retorno da produção
Martín Galdeano, CEO da Ford na América do Sul, explica que a empresa reorganizou seus recursos para priorizar segmentos em que possui maior competitividade e eficiência. Dentro desse redesenho, o Brasil passou a ocupar posição estratégica no campo da engenharia.
O executivo destaca que a escolha de encerrar a produção local não refletiu falta de confiança no mercado brasileiro, que continua sendo o mais relevante para a montadora na região e responde por mais da metade do faturamento sul-americano.
Por isso, embora não exista um plano definido para reabrir fábricas, a companhia evita tratar a volta como algo impossível.
O centro de desenvolvimento instalado em Camaçari, na Bahia, e o campo de provas de Tatuí, em São Paulo, formam hoje o núcleo dessa operação.
Cerca de 1,5 mil engenheiros trabalham em projetos que atendem não apenas à América do Sul, mas também a programas globais. A maior parte do esforço técnico está direcionada a funcionalidades embarcadas que alcançam modelos vendidos em diversos mercados.
Tecnologias de atualização remota, sistemas de condução que reduzem a necessidade de uso do pedal do freio, bancos com recursos de massagem e ferramentas de apoio ao desempenho em pistas são algumas das soluções que nasceram no time brasileiro e se espalharam pelo portfólio mundial.
Para a empresa, o resultado é uma área de negócios rentável, autossustentável e capaz de ampliar o alcance da marca em inovação.
Ford foca em crescimento
Com esse foco, a Ford aposta em manter o crescimento de dois dígitos que tem obtido em volumes nos últimos anos.
O avanço recente nas vendas reforça a estratégia de atuar em segmentos como picapes, SUVs, comerciais e modelos de imagem. Essa mudança, segundo Galdeano, trouxe rentabilidade maior e afastou a companhia de ciclos de prejuízo.
O cenário também coincide com o forte apetite do consumidor brasileiro por SUVs, categoria que já domina mais da metade dos emplacamentos de veículos novos no país.





