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Fim das apostas online? Lula diz que “futebol viveu um século e meio sem as bets”

Por Leticia Florenço
07/05/2026
Em Colunas, Mais Tendências
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Lula - Reprodução/Instagram

Lula - Reprodução/Instagram

As apostas esportivas online, conhecidas como “bets”, entraram em uma nova fase de incerteza no Brasil após declarações do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feitas em abril de 2026.

O presidente afirmou que, se dependesse exclusivamente dele, o país poderia até encerrar o funcionamento dessas plataformas, reacendendo um debate que envolve economia, esporte e impacto social.

A fala ocorre em um momento em que o setor já vinha sendo regulamentado e acompanhado de perto pelo governo federal, mas agora passa a enfrentar um discurso mais duro e crítico, especialmente em relação às consequências sociais do crescimento acelerado das apostas digitais.

Preocupação com o impacto social das apostas

Um dos principais pontos levantados por Lula está relacionado aos efeitos das apostas na vida financeira da população. O presidente citou a ideia de um “cassino dentro de casa”, referindo-se à facilidade de acesso aos aplicativos de apostas diretamente pelo celular.

Segundo essa visão, o problema vai além do entretenimento e passa a afetar o orçamento de famílias inteiras, com destaque para o risco de endividamento, perda de renda essencial e agravamento da vulnerabilidade econômica entre os mais pobres.

O tema passou a ser tratado pelo governo também como uma questão de saúde pública e proteção social.

Questionamento da dependência do futebol em relação às bets

Outro ponto central das declarações é a crítica à dependência do futebol brasileiro em relação às empresas de apostas. Nos últimos anos, grande parte dos clubes e campeonatos passou a ter esse tipo de patrocínio como uma das principais fontes de receita.

Lula rebateu essa ideia ao afirmar que o futebol sempre existiu antes desse mercado e que não pode se tornar refém de um único modelo de financiamento.

A lembrança de que o esporte “viveu um século e meio sem as bets” foi usada para reforçar o argumento de que é possível buscar alternativas econômicas mais equilibradas e menos arriscadas socialmente.

Regulação atual e possível endurecimento das regras

Apesar do tom crítico, o setor de apostas no Brasil não é totalmente desregulamentado. A Lei nº 14.790/2023 estabeleceu regras para funcionamento, tributação e publicidade das empresas de apostas esportivas, criando um ambiente formal para operação dessas plataformas no país.

No entanto, as novas declarações indicam uma possível mudança de postura. Em vez de apenas organizar o mercado, o governo pode caminhar para restrições mais rígidas, incluindo maior controle sobre acesso, publicidade e até limites para usuários em situação de endividamento.

O setor de apostas, que atualmente conta com centenas de operadoras autorizadas, passa a enfrentar maior incerteza regulatória. Caso novas medidas restritivas avancem, empresas podem precisar rever estratégias de publicidade, parcerias com clubes e até modelos de operação no país.

Ao mesmo tempo, o futebol brasileiro, altamente dependente desse tipo de patrocínio em diversas categorias, também pode ser impactado financeiramente, o que adiciona complexidade ao debate.

Dúvidas, críticas ou sugestões? Fale com o nosso time editorial.
Leticia Florenço

Leticia Florenço

Filha da Terra da Luz, jornalista pela Universidade de Fortaleza (Unifor).

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