Apesar de continuar entre os setores mais rentáveis do entretenimento, a indústria global de videogames enfrenta pressão crescente na disputa por atenção em um ambiente digital fragmentado.
Mesmo quando houve expansão da base de usuários, os gastos com hardware e softwares para PC e consoles ficaram estagnados ou recuaram, indicando redistribuição de tempo e orçamento.
Relatório da Epyllion aponta estabilidade ou queda no número de jogadores nos oito principais mercados: Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul, Reino Unido, Alemanha, França, Canadá e Itália.
Fim da era dos videogames
O crescimento observado durante a pandemia de Covid-19 foi temporário e, em parte desses países, o total de jogadores frequentes já está abaixo do nível pré-crise.
Entre os principais dados:
- Nos Estados Unidos, a participação caiu entre 2,5 e 4 pontos percentuais.
- No Canadá, um em cada seis adultos deixou de jogar entre 2018 e 2022.
- Na Coreia do Sul, a retração chegou a 15% em relação à média anterior à pandemia.
O setor também enfrenta concorrência de plataformas digitais de consumo rápido, como o TikTok, além de aplicativos de inteligência artificial e apostas online, serviços que disputam o mesmo público central dos games, especialmente homens entre 18 e 35 anos.
Dentro do próprio ecossistema gamer, a atenção se concentra em plataformas específicas. A Roblox superou 10 bilhões de horas mensais em 2025, mais do que o tempo combinado em Steam, PlayStation e Fortnite, evidenciando fragmentação e preferência por experiências contínuas e socialmente integradas.
Desafios e contramedidas
De acordo com o levantamento, o desafio estrutural não está necessariamente na qualidade dos títulos produzidos, mas na dinâmica da economia digital, marcada por notificações constantes, recompensas imediatas e ciclos contínuos de estímulo. Nesse ambiente, a atenção do usuário tornou-se o recurso mais valioso e disputado do entretenimento atual.
Diante da desaceleração na entrada de novos consumidores, grupos como Electronic Arts, Ubisoft, Sony e Microsoft passaram a reforçar estratégias de monetização.
Entre as medidas adotadas estão o aumento do preço inicial de lançamentos e a expansão de receitas recorrentes por meio de microtransações, passes de batalha e conteúdos adicionais pagos.






