Mesmo com a presença do astro Ice Cube no papel principal e uma proposta inspirada em um clássico da ficção científica, a nova versão de A Guerra dos Mundos, disponível no Prime Video, estreou de forma desastrosa.
Segundo o Rotten Tomatoes, nenhum dos 12 críticos que analisaram o longa até agora achou a obra minimamente digna de uma avaliação positiva. A pontuação? 0% de aprovação, algo que poucos filmes na história conseguiram alcançar.
Apesar das críticas negativas unânimes, o filme ocupa o terceiro lugar entre os mais assistidos da Amazon Prime Video no Brasil. A explicação? Provavelmente uma mistura de curiosidade mórbida, expectativa frustrada ou até vontade de comprovar por conta própria o desastre anunciado.
A publicidade contribuiu para essa curiosidade ao usar como frase promocional: “É pior do que você imagina”, o que muitos críticos disseram ser a única parte verdadeira e bem executada do projeto.
Enredo mal executado
O filme tenta dar um toque contemporâneo à clássica invasão alienígena descrita por H.G. Wells. No enredo, Ice Cube interpreta Will Radford, um analista de cibersegurança do governo norte-americano que descobre uma possível ameaça extraterrestre.
A forma de narrativa, porém, é o ponto mais criticado é que a história se desenvolve quase que exclusivamente por telas de Zoom, postagens em fóruns, mensagens instantâneas e vídeos da internet, um estilo que tenta simular uma imersão tecnológica, mas que resultou em confusão, falta de ritmo e desconexão emocional com os personagens.
Além de Ice Cube, a produção conta com nomes conhecidos como Eva Longoria, Clark Gregg, Iman Benson e Devon Bostick. No entanto, nem o talento do elenco foi capaz de salvar a produção do colapso.
A crítica aponta que os atores parecem presos em um roteiro fraco, com diálogos artificiais e uma construção de personagem rasa. As atuações se perdem diante da estrutura limitada do filme, que foca excessivamente em recursos visuais digitais e ignora o desenvolvimento humano e dramático da trama.
Direção e roteiro
O longa é dirigido por Rich Lee, com roteiro de Kenneth Golde e Marc Hyman. Segundo os criadores, a intenção era inovar ao mostrar como as pessoas experienciam catástrofes através das telas, como se estivéssemos assistindo a um apocalipse de dentro do celular ou do computador.
No entanto, críticos foram unânimes ao considerar que essa abordagem comprometeu completamente a narrativa, tornando o filme cansativo e visualmente repetitivo. A promessa de imersão virou motivo de piada.
Comparações inevitáveis
Desde sua publicação original em 1898, A Guerra dos Mundos já foi adaptado diversas vezes, para rádio, televisão e cinema. O filme mais famoso talvez seja o estrelado por Tom Cruise, lançado em 2005 e dirigido por Steven Spielberg.
Em comparação, a nova versão é amplamente considerada a pior adaptação da história. Uma das resenhas resumiu o sentimento geral: “De todas as tentativas de adaptar essa história, essa é a mais desastrosa.”
Fica a lição de que nem todo experimento narrativo é bem-vindo, principalmente quando sacrifica aspectos essenciais da experiência cinematográfica, como envolvimento emocional, clareza narrativa e coesão estética.
E, mais uma vez, Hollywood mostra que mesmo com orçamento, elenco estrelado e inspiração literária clássica, um filme pode errar em absolutamente tudo, e ainda assim encontrar audiência.






